Horácio Bastos quer restruturar “minimamente” e “rapidamente” o Carlos Osório

O objetivo é já lá jogar na próxima temporada. Levar a União Desportiva Oliveirense à Primeira Liga num intervalo de cinco anos é outra das pretensões. Tarefa complicada para Horácio Bastos, presidente do clube, caso não haja um estádio entretanto.

Comecemos pelo “desporto rei”. A Oliveirense está finalmente em curva ascendente no regresso às vitórias, com três consecutivas, que vêm dar alento para o resto do campeonato.

Sim, é verdade. Temos uma excelente equipa, na minha opinião. Como sempre disse, isto é uma questão de tempo até entrarem os golos porque já fizemos grandes jogos e não conseguimos finalizar. Era aquilo que nos estava a faltar. Neste momento parece que estamos a acertar com a baliza. E isso é que é importante.

 

Houve um tempo em que o Pedro Miguel quis colocar o lugar à disposição e vocês assim não o entenderam. Neste mercado de Inverno, não houve necessidade de ir ao mercado ou não havia meios de ir ao mercado?

Na minha opinião, não havia necessidade de irmos ao mercado. Temos uma excelente equipa, temos soluções para dar perfeita resposta ao campeonato que temos. Fizemos apenas uns ajustes. Tinha saído o João Amorim e fomos buscar o Graça para colmatar essa posição. Como cedemos o Serginho ao Gondomar para ele ter mais minutos de jogo, acabámos também por ir buscar uma solução para essa posição que surgiu à última hora. Temos equipa para dar resposta positiva ao campeonato e para conseguirmos fazer aquilo a que nos tínhamos proposto no início da época: estarmos com a manutenção assegurada o mais rapidamente possível e solidificar a nossa posição acima de tudo.

 

A permanência do Pedro Miguel era importante.

Sim, não víamos que fosse a solução para o problema. Houve um jogo em que correu mal. Tal como houve a situação do Benfica e do 10-0. São situações que acontecem uma vez de longe a longe. Hoje em dia não é fácil ter goleadas destas. Mesmo goleadas de 5-0 não são muito normais no futebol. Mas de vez em quando acontecem.

 

Jogar fora de casa é um contratempo e de que maneira. Primeiro em Aveiro, onde o terreno está uma lástima, e agora em Matosinhos, no Estádio do Mar, para além de treinarem em Estarreja. É para assim continuar?

Temos carência de infraestruturas, como toda a gente sabe. E essa carência de infraestruturas não é dos últimos dois ou quatro anos. Vem de há 70 anos a esta parte. Portanto, estamos numa fase em que se tem de fazer algo. Já falámos muito sobre isso e estamos a trabalhar nesse sentido. Certamente que Oliveira de Azeméis tem pessoas capazes de ajudar a resolver esta situação. Irão com certeza estar com a direcção e arranjar uma solução.

 

“Critiquem menos e apoiem mais”

 

A União Desportiva Oliveirense está a pagar na tabela classificativa o facto de não estar a jogar na sua própria casa. É algo que pesa sempre.

É um ‘handicap’. Já sabíamos disso desde o início, quando começámos este campeonato. Estamos habituados a superar aquilo que são as dificuldades que temos no dia-a-dia e portanto transformámos essas dificuldades em união e em potencialidades e é isso que temos feito ao longo desta época e da época anterior. Temos conseguido e acho que vamos conseguir este ano também atingir os nossos objectivos sem nos estarmos a lamentar. Temos jogado em Aveiro, este fim-de-semana foi no Leixões. Queria agradecer publicamente ao Leixões por nos ter cedido o estádio de um dia para o outro. Foi importante para nós resolvermos a situação, para não termos de estar a adiar o jogo. Era também importante para nós jogar, porque vínhamos de uma senda de duas vitórias seguidas. Era importante jogar e fazer a terceira vitória, que foi aquilo que acabámos por conseguir e dar assim um salto na tabela classificativa.

 

São muitos aqueles que nas redes sociais perguntam em que pé estão as obras no Carlos Osório. O que se pode dizer nesta altura aos sócios da Oliveirense?

O que os ‘facebookianos’ da Oliveirense – muitos deles nem sócios são – fazem é falar e criticar, mas para se fazer um estádio novo ou para reestruturar o Carlos Osório são precisos entre 3 a 5 milhões de euros e não vejo nenhuma dessas pessoas que vão falar para o Facebook a dar o que quer que seja à Oliveirense. Portanto, é assim: o Horácio Bastos não tem dinheiro para fazer isto. Está a tentar juntamente com as pessoas arranjar uma solução para esta situação. Antigamente era tudo mais fácil, punha-se as obras a rolar e depois via-se quando é que se pagava. Hoje, para se arrancar com uma obra destas tem de se pagar à cabeça logo 20 ou 30% da obra. Por um lado, essa situação é compreensível. Por outro, temos mais dificuldades. Portanto, aquilo que peço a essas pessoas é que apoiem a Oliveirense. Que dêem aquilo que podem dar, critiquem menos e apoiem mais.

 

Como está a constituição da SAD?

Tínhamos uma solução que foi a que aprovámos em assembleia geral. Essa solução acabou por não resultar devido a problemas de saúde com o principal investidor.

 

Estamos a falar do Deco?

O Deco era uma ponte de ligação nisto. Deixou de ser. A partir do momento em que o presidente do grupo tem o problema de saúde que tem, deixou de ter interesse em investir no futebol. Está mais preocupado com o seu país, o Gabão, e com a saúde dele. Portanto, esse investidor desapareceu. Não temos pressa neste tipo de situações porque para uma SAD nos moldes em que a Oliveirense a pretende há poucos investidores. Não há assim tanta gente disponível para isto. Era um excelente negócio para a Oliveirense. Nestes moldes, estamos a tentar arranjar outro, com calma. Caso apareça, aparece. Se não aparecer, também não é por aí que as coisas não se vão fazer. Haveremos de construir o estádio ou reestruturar aquilo de outra forma.

 

O Carlos Osório vai manter-se?

O Carlos Osório vai manter-se e uma das coisas que vamos ter mesmo de fazer rapidamente é reestruturar minimamente o Carlos Osório. Se calhar não naqueles moldes de um investimento de três milhões de euros. Seria fazer ali uma reestruturação rápida com aquilo que é obrigatório mesmo para podermos jogar lá na próxima temporada.

 

Défice de infraestruturas

 

A Oliveirense ganhou mais um título no basquetebol. É campeã nacional e agora ganhou esta Taça Hugo Santos frente ao Benfica em Sines. O que é que tal representa para o clube?

Representa muito. Obviamente que é motivo de orgulho o facto de esta direcção já ter ganho uma Taça Intercontinental de hóquei em patins, o campeonato nacional em basquetebol e  agora a Taça Hugo Santos em basquetebol. A União - tal como o nome indica - que se vive hoje na Oliveirense em todas as modalidades é extremamente importante para obtermos resultados e conseguirmos chegar aos objectivos pretendidos. Ganhámos também as duas taças no ciclismo, ficámos em segundo e terceiro lugar. Estamos no bom caminho. Esta direcção está muito unida nas modalidades todas e isso é que é importante. Estando unida e com toda a gente a trabalhar no mesmo sentido, temos muitos ‘carolas’ aqui que diariamente trabalham na Oliveirense sem receber um tostão que seja. Essa união, esse espírito de família que temos, leva-nos a ter bons resultados.

 

A equipa de ciclismo vai participar na Volta a Portugal?

Vai, com certeza.

 

Não tarda está aí o Azeméis CUP. Como está a decorrer isso?

Está em fase de organização. Está praticamente tudo tratado, equipas convidadas...

 

Será superior ao da época passada?

Vai ser superior, embora tenhamos ali mais uma vez o défice de infraestruturas para albergar uma situação destas. Não queríamos tirar o torneio de Oliveira de Azeméis ou espalhá-lo por outros campos, como fazem outros clubes. Queremos tentar alargar ao máximo mas fazê-lo dentro das nossas infraestruturas.

 

No que concerne ao hóquei em patins, enquanto tivermos Benfica, Sporting e Porto na alta roda, dificilmente outra equipa será campeã. O que diz da não validação do golo no Benfica-Oliveirense? 

O hóquei em patins tem o ‘handicap’ da arbitragem. Acho que a federação tem que trabalhar essa situação no sentido de profissionalizar a arbitragem do hóquei em patins. Tendo em conta os orçamentos que hoje as principais equipas de hóquei em patins têm, certamente seremos o principal campeonato de hóquei a nível mundial. Temos grandes equipas, temos grandes jogadores e depois temos árbitros que não acredito que façam isso propositadamente, mas que erram constantemente. Acabam por denegrir um bocadinho a imagem daquilo que é o hóquei em patins. Embora ache, e estou plenamente convicto, que este ano a Oliveirense vai ser campeã nacional de hóquei em patins.

 

Vai recorrer?

Aquilo que vamos fazer é alertar a federação para aquilo que aconteceu. Em termos de comunicação social, já toda a comunicação social colocou cá fora imagens e textos sobre isso portanto não vale a pena estarmos a mexer mais. Aquilo que queremos é ganhar já o próximo jogo e tentar dar o salto novamente para o primeiro lugar, que é o lugar que deveríamos estar a ocupar.

 

Os ‘três grandes’ estão a ver uma intromissão da Oliveirense que não queriam ou esperavam de todo.

Estão a contar connosco e sabem que somos um sério candidato. Se não andarem mais do que nós certamente que o campeonato vem para Oliveira de Azeméis.

 

Ser de novo candidato? “Neste momento não penso nisso”

 

Como se sente o presidente da Oliveirense com este rol de emoções? Alguma desilusão à mistura?

Quando viemos para cá foi para dar o nosso melhor e tentar o máximo de títulos possível. É isso que estamos a fazer. Estamos a trabalhar nesse sentido. Umas vezes conseguimos, outras não. Estamos aqui de corpo e alma e gratuitamente e também queremos que os nossos adeptos nos apoiem nas horas em que ganhamos e nas horas em que perdemos. É importante quando perdemos termos aqui algum bocadinho de conforto. Quando as críticas são construtivas, elas são úteis. Criticar por criticar, sem dar nada em troca, sem dar sugestões, não vale a pena. Só ajuda a que esta direcção fique desmotivada.

 

Muitos sócios desistiram depois de a Oliveirense passar a jogar em Aveiro? Alguns teriam desistido e voltariam a ser sócios quando a Oliveirense voltasse a jogar no Carlos Osório.

Ouvi dois ou três com essa conversa. Não sei se o motivo é esse ou não, mas, se for, também não fazem falta nenhuma como sócios da Oliveirense. A Oliveirense é e sempre será a União Desportiva Oliveirense independentemente de jogar em Aveiro, em Lisboa, no Porto ou na China. Se querem ser sócios da Oliveirense, se são amantes das modalidades que a Oliveirense tem e se amam realmente o símbolo da União Desportiva Oliveirense não é por causa disso que vão deixar de ser sócios.

 

Há mais um ano de mandato para cumprir. Está com ideias, perante este cenário, de ser candidato ou é caso para dizer “chega”?

Neste momento não penso nisso. Aquilo que poderia ter acontecido e que para mim era bem mais fácil era ter saído no final do mandato anterior. Optámos por ficar no sentido de completar aquilo que idealizámos como projecto para a União Desportiva Oliveirense. Vamos tentar ao máximo dar seguimento a essa nossa meta.

 

Mantém-se o projecto de levar a equipa à Primeira Liga em cinco anos?

Se tivermos estádio nesse intervalo de tempo, sim, mantém-se. Se não tivermos estádio nos cinco anos, é difícil ir para a Primeira Liga, com as condições que temos.

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