Humildade e caridade são regras das Conferências Vicentinas, grupo de solidariedade que também tem representação em Ossela, com Alice Gomes à cabeça e mais inco abnegados ‘trabalhadores da caridade’.
Ao serviço desde 22 de julho de 2013, os Vicentinos de Ossela estão atualmente a ajudar 16 famílias da freguesia. “Fazemos visitas domiciliárias aos doentes, aos que vivem na solidão. Vamos ao encontro de famílias que vivem em situação de pobreza envergonhada”, enumera Alice, para depois resumir: “Ousamos ir onde outros não vão”.
“E isso vê-se”, continua, como que a explicar a ousadia da própria afirmação, contando a história do mais recente caso abraçado pela instituição:
“Descobrimos um casal em Ossela: um senhor com 92 anos, acamado, numa situação muito difícil.Na visita disse que não tinha assistência. Chorou muito. Perguntei se queria que lhe fizesse a barba. Agradeceu e aceitou”, introduziu Alice Gomes, comovida.
Alice não quis referir nomes. Em entrevista ao nosso jornal falou na esposa, com oitenta anos, “completamente surda e com Alzheimer”. “A minha mulher coze-me umas batatitas”, respondeu o idoso, quando a vicentina perguntou se tinha quem lhe cozinhasse as refeições.
Ora, acontece que a situação não era desconhecida de outras coletividades de solidariedade. É que numa reunião entre instituições – que contou com responsáveis da Câmara Municipal – houve quem admitisse que não entravam lá “porque o senhor tinha muitos cães”. “Eu entrei”, respondeu-lhes então Alice, no plenário, confessando tê-lo dito com o sentimento de “realização”. E insistiu: “os Vicentinos fazem o que os outros não fazem”.
Atualmente, os Vicentinos de Ossela estão a precisar de um novo espaço: é que ocupam uma sala na Escola de Santo António. “Antes era da Junta, mas agora é da Câmara e está sem condições”, diz, denunciando que ainda por cima parece que há ‘ocupantes noturnos’ no edifício. “Até já nos estragaram coisas”, desabafa Alice Gomes, que também gostaria de ver o povo de Ossela com maior espírito de “união e partilha”.
Afinal, há quem não precise de mais do que “abrigo e um prato de comida”.

