“O fundamental no desporto é a conquista de valores”

Com 39 anos de história, o Grupo Cultural e Recreativo de Ossela é uma das mais importantes colectividades desportivas, e não só, do concelho de Oliveira de Azeméis. José Carlos Rego, presidente da agremiação lembra que é mais do que o futsal.

Com 39 anos de história, o Grupo Cultural e Recreativo de Ossela é uma das mais importantes colectividades desportivas, e não só, do concelho de Oliveira de Azeméis. José Carlos Rego, presidente da agremiação lembra que é mais do que o futsal.

Como é que tudo isto começou e como tem sido o percurso do grupo?

A colectividade foi fundada em 22 de Fevereiro de 1979, tendo completado este ano 39 anos de existência. Na verdade, é uma colectividade com história, com um património importante, quer humano, quer de conquistas, quer mesmo a nível de infraestruturas. Julgo que para nós é gratificante defender o que defendemos e temos um enorme orgulho na nossa colectividade e em tudo o que ela representa. 

 

Mas não primam apenas pela conquista de títulos, certo?

O mais fundamental no desporto não é a procura de títulos, mas a conquista de valores e nisto nós temos uma identidade muito forte e que respeitamos e obrigamos toda a gente a respeitar. 

 

Além de que o Grupo vai mais além do futsal...

A nossa história é uma história meritória, tendo já várias gerações passado por esta colectividade. Com 14 anos eu já pagava quotas e pouco tempo depois já integrava os corpos directivos. Temos tido inúmeras actividades e modalidades e temos o nosso pavilhão gimno-desportivo. É uma infraestrutura que permite a prática de um conjunto de modalidades de pavilhão. Lembro que a minha freguesia, Ossela, tem pouco mais de 2.000 habitantes. Podem considerar-nos um bairro, podem considerar-nos uma aldeia, mas é uma freguesia com muita potencialidade. Quer a nível industrial, quer a nível desportivo. Foi privilegiada pelos deuses porque é de uma beleza inquestionável. Temos floresta por todo o lado, temos campos verdes por todo o lado, rasga-nos a alma o nosso rio Caima que é também de uma beleza única. 

Portanto, é um local maravilhoso para viver, para a prática desportiva e para se trabalhar e confraternizar. A nossa freguesia é rica nas festas populares, por exemplo. No meu lugar, Vermoim, fui “obrigado” a ser o presidente das festas porque senão não havia festas. Tenho também muito orgulho em que a minha freguesia viva pela fé e pelo cristianismo, porque é uma freguesia católica. 

A colectividade, voltando a falar no Grupo Cultural e Recreativo de Ossela, tem na verdade as suas vertentes desportivas, culturais, recreativas e sociais. 

No desporto, e referindo outra vez o motivo maior, isso tem a ver com o facto de termos um pavilhão gimno-desportivo. Se tivéssemos um campo de futebol, garantidamente todo este trabalho seria mais no aspecto do futebol de 11, do futebol de 7, e era por aí que estaríamos inscritos e a competir, provavelmente, com bons ou maus resultados. No desporto, o fundamental não é unicamente conquistar troféus, embora seja um registo de que a colectividade se orgulha.

 

Podemos dizer que a principal missão do GCR Ossela é formar?

Não. A principal missão da colectividade é de uma forma regular e contínua criar actividades.

 

Mas acabam por ser no futsal o alfobre para outros clubes?

Ultimamente, isso tem vindo a ocorrer. Mas nós também temos a nossa equipa de seniores. O grande objectivo da colectividade - porque se tratam de filhos da terra, filhos do clube, filhos de directores - é que os elementos continuem depois a representar a colectividade. As gentes da terra têm orgulho neles, independentemente do valor, de se destacarem no panorama da modalidade ou não. Temos tido nos últimos anos dos melhores ou até os melhores jogadores a nível da formação no futsal. Como provam as primeiras convocatórias que ocorreram a nível do distrito de Aveiro para as selecções nacionais.

 

Olhando para a época que terminou há bem pouco tempo, que balanço se pode fazer?

De época para época a colectividade tem melhorado os seus resultados. Tem melhorado e ultrapassado até os seus próprios objectivos. Porque temos conseguido conquistas que na maior parte eram impensáveis. 

Pela primeira vez, na história do desporto de Aveiro, um clube, neste caso o Grupo Cultural e Recreativo de Ossela, conquistou um troféu a nível nacional. Nunca em nenhuma modalidade isto ocorreu. Foi a primeira vez que um clube, neste caso no futsal, conquistou a taça nacional de juniores em futsal. Fomos à final four, com o campeão de Lisboa, com o campeão de Coimbra, com o campeão de Setúbal, e nós, como campeões de Aveiro, conquistámos este troféu pela primeira vez e agora a União Desportiva Oliveirense conquistou o campeonato nacional de basquetebol. Portanto, é histórico. Isto também nos permitiu na última época ter disputado o campeonato nacional da primeira divisão sub-20 de juniores na modalidade. O objectivo era tentarmo-nos manter na primeira divisão e, mesmo aí, ultrapassámos as melhores expectativas. Ficámos nos 8 melhores e fomos disputar o título nacional. Jogando com o Benfica, com o Sporting, com as melhores equipas nacionais e com os melhores atletas que representam as suas equipas que dentro de dois ou três anos estarão nos melhores clubes em Portugal a disputar os campeonatos. Lembro que Portugal é uma potência mundial nesta modalidade e nós estamos entre os melhores a este nível.

 

Olhando então para esta época que terminou, poder-se-á dizer que o balanço é positivo?

É. A juntar a isto, mantivemo-nos na segunda divisão nacional nos seniores. É um campeonato extremamente competitivo porque tem muitos clubes que representam cidades e nós representamos uma aldeia do concelho de Oliveira de Azeméis. Esta é uma realidade. Nós jogamos, por exemplo, contra Viseu. Imaginemos o poder económico ou a quantidade de atletas que eles não têm para formar uma equipa. Nós não. A nossa realidade é completamente diferente.

 

Com quantos atletas conta o Grupo Cultural e Recreativo de Ossela?

Ultrapassa os 100 atletas a praticar a modalidade.

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