Melhorar continuamente os serviços prestados aos utentes é o objectivo da Comossela, presidida por Carlos Pinheiro.
Como é que a instituição começou?
A Comossela é uma instituição com uma série de serviços e um projecto sempre em mente, que é a melhoria contínua dos serviços prestados às pessoas. A Comossela foi fundada em 1995. Mais tarde veio a tornar-se numa IPSS. Desde a sua génese teve sempre como objectivo principal a construção daquilo a que nós chamávamos um centro comunitário, que se veio a tornar realidade, não propriamente como centro comunitário, mas como algo com várias valências - Centro de Dia, Creche, Serviço de Apoio Domiciliário e Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social.
Inicialmente, tínhamos apenas dois serviços: um era a chamada intervenção comunitária, na altura com protocolo com a segurança social, em que prestávamos assistência e íamos acompanhando os casos mais difíceis e as maiores necessidades da freguesia. Depois, a partir daí começou a surgir uma necessidade que eram as crianças desfavorecidas que quando saíam da escola não tinham para onde ir. Iniciámos com um CATL, o antigo ATL, que eram actividades para tempos livres. Na altura nem sequer tínhamos instalações adequadas, foi a paróquia que nos fez a cedência do salão paroquial para lá funcionarmos. Servíamos as refeições aos miúdos da escola também lá naquele espaço que durante alguns anos nos foi cedido gratuitamente. O projecto do centro comunitário foi desde a génese o nosso objectivo.
E depois disso?
Os anos foram passando, as dificuldades eram cada vez maiores em termos de apoios, até que mais tarde surgiu a oportunidade do PARES (Programa de Alargamento de Rede de Equipamentos Sociais). Na altura candidatámo-nos e fomos contemplados, mas tivemos algumas reservas quando chegou a altura de se avançar com a construção propriamente dita ou a consignação da construção da obra. Ficámos com algumas reticências porque os montantes eram muito elevados. Na altura, com as dificuldades e o montante que aquilo ia envolver e dadas as dificuldades da freguesia, tentámos reunir os apoios possíveis, até porque naquela altura para fazer a candidatura tínhamos de ter algumas certezas. Avançámos com a candidatura. A candidatura envolvia um determinado montante, que depois com algumas alterações legislativas teve de ser ajustado, porque saíram umas normas novas. Tivemos de alterar projectos e a obra a partir daí disparou. Na altura, quando pedimos os orçamentos e antes de adjudicarmos a obra tivemos uma reunião com o município e tentámos saber como era – se eles mantinham o apoio da candidatura ou se manteriam o apoio ao custo da obra, que na altura era 20%. Se mantivessem só sobre a candidatura nós não avançávamos porque eu sabia que não ia ter possibilidades de suportar, mesmo com a ajuda da população. Reunimos com o município, disseram que mantinham os 20%. A partir daí avançámos com a obra e correu tudo dentro da normalidade, embora depois tivéssemos passado por um período de graves dificuldades. Porque a parte do município acabou por não cumprir e andou a adiar uma série de anos. Foram para aí uns 9 anos que andámos ali.
Está a falar no executivo anterior. E com este executivo?
Com este novo executivo conseguimos reunir logo no início do mandato. Eles eram oposição anteriormente e estavam por dentro da situação toda. Disseram que de facto conheciam as dificuldades e que íamos avançar para um entendimento. Então fizemos um acordo com eles, que foi assinado em Dezembro, em que eles nos deram uma verba nesse mês. Depois, o resto da verba seria paga mensalmente, como eles não tinham a possibilidade de nos pagar tudo.
Sobrevivência
Como são as vossas valências?
No Centro de Dia temos capacidade para 30 pessoas. Estamos com 25. Em termos de Creche, também temos capacidade para 30 pessoas e estamos com 27 crianças. Ainda temos alguma margem. Até porque chega ao fim do ano lectivo e normalmente saem alguns - há ali sempre um período em que há uma quebra. Mas em termos de apoio domiciliário, por exemplo, estamos sempre no limite.
E quanto a subsídios?
Existem umas verbas que são atribuídas pela Segurança Social. A Segurança Social tem para o utente do Centro de Dia um determinado montante, cada criança de Creche tem também um subsídio “x” e, depois, no Apoio Domiciliário, em função do número de serviços prestados, também há uma colaboração da Segurança Social. Depois é colmatado o restante com uma tabela própria da Segurança Social que tem a ver com os rendimentos das pessoas. Isto é um pouco injusto em termos de instituições, porque nós estamos num meio rural, prestamos serviços a pessoas com pensões mínimas, residuais. Numa instituição com o cariz da nossa, as pessoas que recorressem à instituição numa cidade pagariam muito mais.
Os apoios que têm nesta altura são suficientes para as vossas necessidades?
Não. Infelizmente andamos sempre à procura do último cêntimo. O que fazemos habitualmente são festas de angariação de fundos, umas mais regulares, outras menos regulares, até porque os subsídios que vêm da Segurança Social são em doze meses. É um subsídio mensal. E nós em custos com pessoal temos 14 meses. Temos uma actividade instituída há uns anos que vimos levando a cabo que é o S. Martinho, em que fazemos um almoço com animação para angariação de fundos. Habitualmente, quase sempre há quatro ou cinco anos, cantamos as janeiras na freguesia, embora no ano passado e há dois anos tenhamos acabado por não o fazer porque o tempo não permitiu. Fomos acusados de já não termos cantado as janeiras no ano passado porque recebemos um subsídio da Câmara. É mentira.
As gentes de Ossela valorizam esta instituição?
Uma parte, sim. Sinceramente, sinto-me às vezes cansado. O que nos vai dando alento são as pessoas que vêm de fora e que quando chegam lá e recorrem aos nossos serviços dão-nos o alento para continuarmos, porque de facto dizem maravilhas. Uma parte, não. Não consigo conceber. Há uns anos pensei que Ossela, com uma nova geração, poderia ser diferente, mas não.
Quantos utentes tem a Comossela?
Actualmente, tem 72. Para além das pessoas do Serviço de Atendimento e Acompanhamento Social.
Como é a vossa relação com a junta de freguesia?
Em termos de junta, o que sentimos é que não temos apoio. O senhor José Santos desconhece um pouco a instituição.
O que o leva a dizer isso?
Já tivemos algumas conversas e algumas situações e a mim desagrada-me bastante. Numa assembleia de freguesia de aprovação de contas apareceram nas contas uma verba de 1.000 euros para a Comossela. Questionei como apareceram essas verbas para a Comossela se o último pagamento tinha sido feito em 2016 e aquelas contas eram de 2017. Ele disse que deveria ser um engano e que depois esclareceria. Depois disse que tinha a cópia do cheque e que aquilo não foi para a Comossela, mas para o Grupo Cultural. Eu disse que então em 2017 tinha dado 2.000 euros ao Grupo Cultural e não 1.000.
A justificação não o convenceu?
Não.

