Nascido de uma brincadeira, o grupo 'Os Pauliteiros de Ossela' já cá anda desde 1950. A Voz de Azeméis falou com Carlos Pinho, presidente de um grupo de dançarinos que não sabe andar devagar.
Foi com mais oito homens que o fundador do grupo, ainda vivo, criou o colectivo, em 1950. Foi, porém, em 1952 que o grupo foi fundado oficialmente, associado nessa altura ao Rancho Folclórico de Ossela. Em tempos, o jogo do pau era muito praticado. “Por festas e romarias era normal ver-se homens destemidos a resolver as suas contendas à paulada”, refere o blogue do grupo.
Hoje, a realidade é outra. Dos elementos que fazem parte do grupo no presente só dois não foram iniciados nestas andanças em casa do próprio Carlos Pinho. “Já são mais velhos e já existiam enquanto pauliteiros. Mas fui eu e os meus colegas que ensinámos os outros de pequeninos, na escola de pauliteiros que tínhamos e que já não temos. Agora não há crianças”, refere o responsável, que tem no grupo dois miúdos, filhos de pauliteiros. “Vamos ver se esses dão pauliteiros. De resto eles não aparecem. Quando esta fornada acabar, desconfio bem que acabam os pauliteiros”.
Actualmente com dez dançarinos, o grupo tem tido altos e baixos ao longo dos anos. Nos anos 90, o grupo tinha entre 15 e 20 saídas por ano para festas. Este ano tem uma. “É muito difícil que entre um elemento para aprender. Temos agora um rapazito com 16 anos. Nunca vimos um miúdo ao fim de um ano ser capaz de fazer actuações, como ele é. Mas foi um que nos apareceu assim. Foi um acaso”, conta.
Este é um grupo que já levou as suas actuações de Norte a Sul do país e ao estrangeiro, incluindo as comemorações do dia de Portugal nos Estados Unidos da América, em que o grupo participou, em 1992 e 1996.
Uma das peculiaridades do grupo é fazerem os seus festivais à tarde e não à noite. Mas há uma explicação para isso. “Há anos o que havia em Ossela era lavoura e pessoas dedicadas a ela, que à noite estavam cansadas e queriam ir para a cama. Fizemos festivais ao sábado à noite. Mas não tínhamos lá ninguém. As pessoas perguntavam porque é que não fazíamos o festival ao Domingo à tarde”, explica.
Segundo Carlos Pinho, este é um grupo de pessoas que não é melhor do que ninguém, mas que é diferente. “Os pauliteiros de Ossela não sabem andar devagar nem bater devagarinho”.

