José Santos: “Falta um pouco de diálogo com a Câmara”

Em entrevista, classifica o seu anterior mandato enquanto presidente da Junta como um "dos mandatos mais produtivos que a freguesia de Ossela já teve". 

Classifica o seu anterior mandato enquanto presidente da Junta como um "dos mandatos mais produtivos que a freguesia de Ossela já teve". A Voz de Azeméis conversou com José Santos, presidente reeleito da Junta de Ossela.  

Que balanço se pode fazer do seu último mandato?

Em termos práticos e objectivos penso - e acho que aí os osselenses já me julgaram e bem - talvez tenha sido dos mandatos mais produtivos que a freguesia de Ossela já teve. 

Embora saiba reconhecer o trabalho já feito por executivos anteriores, penso que estes últimos foram talvez os quatro anos em que mais obras se fizeram - requalificações, pavimentações, o término do parque de merendas do Pedregulhal e a execução dos Caminhos Literários de Ferreira de Castro, que terminaram em Abril de 2015. Já em 2014 foi requalificada e pavimentada a Rua 1º de Maio. Em 2016, bastantes troços foram repavimentados.

Em 2017, além de outras a Rua José de Almeida e parte da Rua da Foz levaram um piso novo, numa extensão de quase 2.500 metros. Foi um ano muito bom. Mas não esquecemos que durante o último mandato muito se fez por Ossela. E não esquecemos precisamente aqueles lugares que se sentiam abandonados nos últimos mandatos, que eram os mais longínquos, como Bustelo do Caima ou S. Martinho. Foi uma decisão deste executivo: olhar para aqueles lugares onde nada ou quase nada tinha sido feito. São lugares onde não vive muita gente, mas temos de olhar para todos, são todos osselenses. Por isso, tínhamos de executar aí algumas obras. 

Sei que algumas foram difíceis de concretizar, devido a adversidades dos terrenos e outras situações apertadas onde não se podia ir de qualquer forma. Foram obras que foram um bocadinho mais difíceis de concretizar. Com a nossa persistência e com as nossas forças conseguimos levar a bom porto. Sentimo-nos realizados por aquilo que conseguimos fazer. 

Por isso mesmo, os Osselenses brindaram-nos com a maior diferença, de sempre, de votos para a nossa concorrência - 150.

 

O que se poderá dizer sobre José Alves, o antigo presidente da junta de freguesia de Ossela?

Foi um presidente bastante querido da população de Ossela, esteve sempre presente, foi um presidente que a todos nós deve orgulhar. Fui contagiado por essa figura incontornável da política local, porque isso aceitei ser secretário da sua presidência, durante três mandatos consecutivos. Portanto, talvez daí venha uma continuidade. Foi uma mais valia para Ossela. José Alves era excelente, era uma pessoa boa e um exemplo a seguir.

 

Por que voltou a candidatar-se?

Achei que muitas coisas ficaram ainda por fazer. E estou em condições de afirmar que continuamos com a mesma força que tínhamos há quatro anos, a tentar fazer o melhor por Ossela. Mas as coisas não estão fáceis, em todos os sentidos. Vamos remar e vamos ver se conseguimos fazer aquilo a que nos propusemos.

 

Como estão as escolas de Ossela?

As escolas constituem uma situação que muito me preocupa. É uma situação muito delicada. Pena nossa que tanto na escola de Selores como na de Vermoim estejam a funcionar algumas valências em contentores. Isto é uma situação recorrente que queríamos ver solucionada. Já vi alguns esboços feitos para solucionar esses problemas. 

Comigo e com a antiga vereadora da educação, a professora Manuela, já havia um certo compromisso para com as escolas da freguesia de Ossela. Sei que esses dossiers foram entregues a quem tomou conta da pasta a seguir, mas o que é certo é que até hoje não foi nada feito em Ossela. Penso que não está nada ainda delineado para as escolas da freguesia. Uma das minhas primeiras preocupações foram as escolas. 

Depois do novo executivo tomar posse, passado algum tempo, a 29 de Novembro, pedi uma reunião ao vereador da educação, Luzes Cabral. Depois mais tarde ele disse-me que iria visitar as escolas todas e só depois é que reuníamos. O que é certo é que só reunimos a 28 de Maio. Faltava um dia para perfazer meio ano. Para quem tem uma preocupação, é aflitivo. Porque a escola é um local das crianças e as crianças são o futuro deste país. É uma das coisas que me preocupa bastante. 

Em Março ou Abril mandei um e-mail à Câmara porque estávamos a ter um problema muito grave na escola de Vermoim. Alguma coisa se passou e então os dejectos que iam da casa de banho não estavam a entrar na fossa. Havia qualquer coisa que o impedia. Houve uma série de vezes em que tivemos de andar com o picheleiro a desentupir. Pensávamos que era uma vez ou duas, mas não: aquilo foi-se repetindo várias vezes. Então falei com a parte da educação. Questionei se ali passava o saneamento, se havia água da rede pública a passar ali e porque é que a escola de Vermoim não estava já a usufruir desse benefício. Então foi-me sugerido mandar um e-mail à Câmara a solicitar esses serviços. Solicitei-os e o que é certo é que eles demoraram alguns meses a começar a realizar essa obra que ainda não está concluída.

 

Falemos de acessos e vias estruturantes.

Os acessos e vias estruturantes são outra situação que nos preocupa. Mas, felizmente, com muito trabalho e colaboração dos proprietários os terrenos estão praticamente todos cedidos para o alargamento da Rua da Indústria. Essa zona precisa de uma via estruturante com condições para que os camiões circulem com maior facilidade e segurança.

 

Como está o saneamento em Ossela?

O saneamento é algo que também me preocupa na freguesia, porque nós temos uma ETAR e essa ETAR está a receber os resíduos sólidos que vêm de Vale de Cambra. Os nossos continuam a passar ao lado. Sei que há empresas que já têm tentado pedir orçamentos para fazer ligação ao saneamento e é extremamente caro. 

Há outros sítios em que onde o saneamento passa e estão a obrigar a ligar. É uma situação que nos ultrapassa bastante. Vamos continuar a pressionar a Câmara para nos ajudar e para que se faça mais saneamento em Ossela porque nós temos uma cobertura deficitária de saneamento. Temos uns 30 a 40% de cobertura. 

Quanto à água, ainda agora na parte final do mandato foram adjudicados pela Câmara anterior mais 2.100 metros de água. Já tínhamos uma cobertura à volta dos 40%, ficámos com mais um pouco. O lugar de Vermoim, numa das partes, está quase todo coberto com a rede de água pública.

 

Como tem sido o seu relacionamento com o actual elenco camarário?

Os presidentes de junta são quem está mais próximo das pessoas e da população em geral. São eles que conhecem a população e que conhecem as suas necessidades mais prementes. O presidente de junta é uma mais valia para a Câmara, se esta o souber aproveitar. 

Neste mandato as coisas não estão a correr tão bem. No outro correram melhor. O relacionamento é bom mas penso que falta um pouco de diálogo. 

Entendo que uma freguesia como Ossela não deve ser tratada como qualquer outra freguesia. Todas são diferentes. Temos de ver o que a freguesia é e temos de ver que Ossela é a maior freguesia do concelho de Oliveira de Azeméis, com quase 18 km2 de área. 

A Câmara deveria usar de algum senso comum perante freguesias como Ossela.

 

Que obras são as mais prementes neste momento para Ossela?

A obra principal é a Rua José Bento Pereira. É a rua mais necessitada de Ossela, onde passam centenas de pessoas por dia. 

Tal como aconteceu no final do outro mandato, foi colocado piso na Rua José de Almeida, pela Câmara. A seguir temos a Rua Padre António José Rodrigues do Carmo. Mas há muitas outras necessidades. Temos a Travessa José de Almeida que está em péssimo estado, com uma indústria que precisa de laborar e que precisa de um bom piso. Temos a Rua da Cerejeira e a Rua da Cavada. Temos a Rua de S. Martinho, temos a Rua David Soares da Silva, que é em Bustelo do Caima, onde já colocamos algum piso. Temos a rua e travessa do Comendador Artur Gomes Barbosa e muitas outras que aqui poderia mencionar. 

Outra coisa que lamento que esteja a acontecer em Ossela é que temos algumas ruas que estão contempladas nos acordos de execução para serem limpas pela Câmara. Precisamente aquelas que atravessam a parte florestal. 

Neste momento isso preocupa-me bastante. Porque neste mandato que se iniciou em Outubro ainda não fizeram uma limpeza em Ossela. Uma única. Até hoje. Já mandei vários e-mails à Câmara com os nomes das ruas. 

Em algumas a junta teve de fazer a intervenção porque já não se passava na estrada. Não nos competia mas tivemos de o fazer. Isso é outra coisa que nos preocupa. Depois, com 18 km2 de área temos dois funcionários. Tantos quantos tem uma freguesia com dois quilómetros e tal. Mas isto não é de agora. 

O presidente da Câmara disse numa assembleia a 28 Dezembro que a freguesia de Ossela tem sido uma freguesia tremendamente mal tratada pelo investimento público nos últimos anos e que por isso havia um conjunto de realidades por atender nessa freguesia. Só que isto foi dito em Dezembro e até hoje nem as ruas foram limpas. 

O presidente ficou-se pelas palavras.

 

E quanto às associações da freguesia, que apoio recebem estas por parte da junta?

Ao Grupo Cultural temos concedido um apoio anual de 1.000 euros, para as actividades da formação. Temos uma colaboração grande com os Pauliteiros porque levam a nossa cultura de Norte a Sul do país e até ao estrangeiro. Se não conseguem fazer o seu festival, onde permutam com outros grupos de folclore, quase morrem, desaparecem. E isso não queremos. Veja que este ano, mesmo com o tempo adverso, viram-se obrigados a tirar as Janeiras. Colaboramos com todas as associações da freguesia, dentro das nossas possibilidades.

 

O presidente da Comossela diz que não tem qualquer apoio da junta de freguesia e fala de um desentendimento que ocorreu relativo ao subsídio que é atribuído à instituição. Qual é a relação entre a junta e a Comossela?

É uma relação institucional, como as relações com as outras instituições. Tiveram, por parte da junta de freguesia, uma comparticipação, como o Grupo Cultural e Recreativo de Ossela, para as obras de construção das suas infra-estruturas, ou seja, 25.000 euros, que já foram pagos na totalidade até ao ano de 2016. Quanto aos 1.000 euros [ver entrevista a Carlos Pinheiro, da Comossela] de que ele fala, houve um erro na contabilidade. É o tal dinheiro do protocolo do Grupo Cultural. 

Como esse dinheiro é também para uma instituição sem fins lucrativos caiu, por erro, na conta da Comossela. No PPI. Na execução do orçamento está correcto. A contabilidade do POCAL é diferente e complicada. Não é uma contabilidade normal. Mas não foram 2.000 euros para o Grupo Cultural, como ele diz. Apenas 1.000 euros, como reza a execução do orçamento.

 

O que levará Carlos Pinheiro a dizer que a Junta desconhece a Comossela?

Ele está muito enganado a esse respeito. Conheço muito bem a Comossela, porque ainda na assembleia municipal de 28 de Dezembro votei favoravelmente a aprovação de 44.879,15 euros, recebendo a instituição 10.000 euros em Dezembro de 2017 e o restante durante o ano de 2018. Assim como quando convidam a junta e pedem colaboração para os jantares de Natal para os mais desfavorecidos colaboramos sempre. Sempre estivemos presentes. 

Só posso pensar que o senhor Carlos ainda não deve ter digerido bem a derrota eleitoral. Quem não conhece a junta é o senhor Carlos, pois a sua instituição tem sete lotes de terreno do Monte das Pedreiras que já devia ter devolvido à autarquia e ainda o não fez. 

Como diz na escritura, foram doados com a finalidade da construção do Centro de Dia, Creche e ATL. Caso isso não se verificasse, eles voltariam para a posse da freguesia. Até hoje isso não se verificou. Os terrenos onde hoje estão instalados foram arranjados pela autarquia com o grande empenho do antigo presidente José Alves, cuja memória deveriam respeitar.  

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