Será entre os dias 3 de Novembro e 1 de Dezembro que a festa do teatro carregosense e oliveirense volta a manifestar a sua pujança. “Nos últimos anos, temos investido o dinheiro que o IPDJ nos dá - a única garantia financeira que temos -, canalizando-o para conseguir trazer pelo menos um espectáculo profissional. Com todo o valor, qualidade e necessidade de existência que o teatro amador tem, queremos oferecer ao público a oportunidade de ver espectáculos com uma outra qualidade e com uma representatividade estética diferente”, aponta João Amorim, vice-presidente da URATE. O Teatro Amador de Pombal, o Teatro Sénior de Ovar e o Grupo Farrapo, de Santiago de Compostela – numa primeira internacionalização – são algumas das colectividades que vão marcar presença ao longo do mês.
“A URATE surgiu de um pequenino núcleo que era um grupo de jovens, que decidiram fazer uma actividade que foi o Ciclo Paper. No ano seguinte voltaram a fazer e gostaram da experiência. Trata-se de um grupo pequenino de seis pessoas que depois desta actividade se juntou e que achou interessante formar então uma associação”, conta Catarina Oliveira, presidente da URATE. O Ciclo Paper, que já vai na sua 23ª edição, é assim considerado a “actividade mãe” da associação com 18 anos de existência. “É o que antecede a associação. Daí, começaram com umas brincadeiras de teatro, passado uns anos a dança, depois o desporto... A URATE foi nascendo”, afirma.
João Amorim explica que o percurso da associação tem sido “de descoberta de novas possibilidades e de melhorias dentro daquilo que são as actividades que já existem há algum tempo”. “O que me parece é que a URATE em termos de estrutura tenta ou quer funcionar de alguma forma quase como uma incubadora de ideias onde as pessoas estão e têm disponibilidade, uma estrutura e um espaço onde podem apresentar ideias, para trazer coisas novas, actividades novas”, diz.
Como explica Catarina Oliveira, a dinâmica da URATE acaba até por a transcender a ela, presidente. “Não consigo dar números concretos do número de elementos da associação, o que é muito bom. Estamos divididos em vários grupinhos, as pessoas vão falando comigo, vão pedindo permissão para fazer isto ou aquilo, mas toda essa actividade é da responsabilidade dessas pessoas, nem tenho de me preocupar. Estou focada noutras questões”, aponta.
Mas o calcanhar de Aquiles da associação é mesmo a sede. “Neste momento, temos sede junto do auditório, numa pequenina sala. Para os nossos ensaios de teatro e de dança, que são aquelas duas actividades semanais correntes que envolvem muita gente, se calhar quase uma centena de pessoas, usamos os espaços do auditório, o palco interno e o palco externo. A nossa dificuldade é que o auditório não é só da URATE, é de toda a gente, é de toda a comunidade”, explica Catarina Oliveira, que explica que no mês de Novembro, com o Festola, “os grupos vão montar as coisas na sexta à noite e sábado e nesses fins-de-semana não vai haver espaço para ensaiar”. “Um mês inteiro”, lamenta.
Às vezes passamos um mês, dois meses, sem conseguir ensaiar no espaço. Depois temos de gerir tudo e temos de agradecer imenso ao Centro Social que nos tem dado uma grande ajuda. Temos sobrevivido, mas a associação está a ganhar toda uma estrutura, um crescimento e uma dinâmica que a médio prazo me preocupa imenso”, desabafa.
“De facto, para a URATE poder continuar a fazer o seu trabalho precisa mesmo de uma sede nova. Se não conseguirmos arranjar essa sede a médio prazo as actividades estão comprometidas”, remata João Amorim.

