Que balanço se pode fazer a este primeiro ano de mandato?
Na minha muito, muito humilde opinião, acho que é um balanço muito, muito positivo. Não tinha nenhuma experiência política, foi uma vitória inesperada e sem a maioria a que as pessoas estavam habituadas. Não tinha experiência, não estávamos habituados a trabalhar assim. Aquilo que nós temos conseguido, e já vou concretizar, tem sido, do meu ponto de vista, um trabalho muito meritório, na minha modesta opinião. Tem sido um trabalho frutuoso porque tomámos posse no dia 20 de Outubro e no dia 21, quando tomámos conhecimento das contas, tínhamos um saldo negativo. Estávamos no final do mês e havia salários para pagar, contas de água, luz e todas as despesas correntes de pelo menos dois meses sem pagar, conta com saldo negativo, a tranche referente ao mês de Outubro paga pela Câmara tinha sido paga e já não existia. Portanto, como é que eu ia pagar aquelas despesas que estavam ali?
No imediato quais foram as medidas que acabou por ter de tomar?
Toda a gente esperou que houvesse dinheiro. Foi a primeira vez na junta de freguesia de Carregosa que os funcionários não receberam o salário a tempo e horas porque tinha de ser feito um corte com as estratégias anteriores de andarmos a usar dinheiro que não era dinheiro. Para mim, o dinheiro público tem nome e esse dinheiro é alocado às despesas que estão previstas em termos de orçamento, salvo algumas excepções.
Quis fazer um corte com o passado.
Sim. Não sendo política e não tendo vícios, não sei se fiz bem ou fiz mal, fiz à minha maneira, fiz à moda de casa. Gasta-se o que se tem, desde que se poupe algum. É isso que tenho feito lá.
Que projecto apresentou aos carregosenses?
O nosso projecto, o projecto da Acreditar Carregosa, é pouco ambicioso. No fundo, é um projecto muito virado para as necessidades das pessoas, dos carregosenses, e para o povo de Carregosa olhar para si próprio e ver o valor que tem. Para tentarmos valorizar aquilo que vemos que é o que temos. Uma junta, com os meios que tem e as atribuições que tem, tem de fazer um trabalho de gestão, não um trabalho de criação, de investimento. Acho que as pessoas não têm essa noção.
Como é que está Carregosa em termos de água e saneamento?
Temos creio que dois lugares que não têm água. São a Fontanheira e Currais. Tem a ver com a própria localização. A situação é muito complicada de ser resolvida pelo próprio município de Oliveira de Azeméis. Até já encetamos conversações nesse sentido com o município de Arouca, no sentido de ver se havia ali possibilidade de a situação ser ultrapassada através desse município, porque fica num plano superior, em relação ao depósito. Portanto, há muita dificuldade e torna-se incomportável em termos financeiros arranjar uma solução que seja eficaz. O melhor seria mesmo essa parceria com Arouca que já foi conversada.
E quanto a redes viárias? De Carregosa chega-se mais rapidamente a S. João da Madeira ou a Oliveira de Azeméis?
Carregosa está localizado num ponto estratégico. Chega-se facilmente a Arouca, a Vale de Cambra, a S. João da Madeira, a Santa Maria da Feira e a Oliveira de Azeméis. Por 20 cêntimos chego num instante a Oliveira de Azeméis pela A32.
É uma mais-valia para Carregosa?
Sim. Pelo preço de um café, vou e venho pela A32. Se é um luxo? Não sei se é, porque o valor tem pouca expressão. Carregosa está muito bem posicionado tendo em conta o nó da A32. Um benefício que do meu ponto de vista está subaproveitado e é incalculável. Portanto, acho que o Nordeste do concelho merecia por parte do município uma outra valorização.
O que mudou em Carregosa com o programa Aproximar Educação?
Não mudou nada. Um projecto deve ser pensado ‘à la longue’, não é por dois, quatro ou cinco anos, porque esse prazo é um prazo de adaptação, nunca é da concretização de nada. Mesmo em nossa casa, em família, num círculo mais pequeno e apertado, para efectuarmos uma mudança mais ou menos radical precisamos de tempo. Imagine-se a nível nacional, ou a nível de concelhos, que estejam associados a determinado projecto. A ideia teórica do Aproximar Educação faz todo o sentido desde que seja devidamente trabalhada e desde que seja devidamente sustentada e financiada. Não é só dizer às pessoas que se vai fazer assim e para elas se amanharem, porque é preciso que venham os recursos.
A zona industrial de Carregosa chega para as necessidades dos carregosenses?
A zona industrial, por incrível que pareça, tem crescido no último ano que é uma coisa por demais. O que é óptimo. O que não é bom e se torna um problema grave são os acessos e as infraestruturas. Quanto às infraestruturas, as pessoas, os próprios empresários, lá vão compensando e vão fazendo, mas o acesso principal - e estamos a falar da avenida Ferreira de Castro e aquele entroncamento na R227 - é uma miséria. Tendo em conta que estão previstas obras de melhoramento na nacional 227 a pergunta que colocamos é que soluções estão previstas para aquele ponto em concreto. Nenhuma. O que é muito mau. Muito mau para os carregosenses, para Fajões e para Cesar. E muito mau para o concelho. É muito mau para o concelho porque estamos a falar na zona industrial do Nordeste, que do meu ponto de vista está a ser totalmente desconsiderada. Vamos fazer uma repavimentação da nacional 227, não vamos fazer naquele ponto em concreto em que sabemos que está uma zona industrial a crescer em massa. Temos ali indústrias que estão já devidamente implantadas e que estão a construir e a querer crescer, mas estão a ponderar se devem investir ali ou não. Portanto, isto é um problema para o concelho. Sei que há uma lógica de investir nas zonas industriais mas temos de pensar que não é só naquele local, temos de pensar nos acessos. Termos ali o diamante, que é o nó da A32, e depois termos ali um acessozito daqueles é uma vergonha.
Que apoios a junta pensa ou vai continuar a prestar às associações? Como serão feitas essas distribuições?
As associações em Carregosa não beneficiam de um apoio monetário por parte da junta. As associações em Carregosa têm todas sede própria ou espaços da junta destinados às suas actividades. Temos o auditório e as instalações adjacentes que são cedidos gratuitamente a todas as associações que deles queiram usufruir, seja para fazerem os seus espectáculos, seja para angariação de fundos. Não é uma ajuda monetária, é uma ajuda em termos de meios. Damos a cana, o peixe tem de ser pescado.
Olhando para o passado e pensando no presente, existe algo que a preocupe neste momento?
Sim. A falta de educação. A falta de respeito. A maledicência, pura e dura. Para mim, a ignorância e a maledicência pura e dura é uma questão de formação. Custa-me, mas, como costumo dizer, faz ricochete na carapaça da minha indiferença.
Como tem sido a vossa relação com o elenco camarário socialista?
Como não tenho vícios de política, como para mim o que conta são as necessidades e sou uma pessoa muito prática, eu vejo ou coloco um problema e o meu objectivo é resolvê-lo. E é assim que também tenho visto a Câmara. Portanto, não os vejo como a cor A, B ou C. Vejo-os como pessoas que podem ou não resolvê-lo. Tento levar o problema, tentamos arranjar uma solução, e até este momento tem corrido tudo bem, com excepção de um problema que é muito delicado e que mesmo para eles reconheço que se trata de uma situação muito delicada atendendo à situação financeira e ao custo da obra - a Rua João Borges de Almeida, a rua que liga Carregosa a Teamonde, que é um grande problema, para nós, para os meus fregueses, para os utentes da via e também para a Câmara, porque para resolver custa muito dinheiro. Tirando esse problema, para o qual ainda não estamos a ver uma solução de concretização no imediato, em tudo o que se tem colocado eles têm sido incansáveis.
Tem sido uma relação cordial?
Sim, e colaborante. Não tenho o que dizer.
Tem-se dito que as juntas deveriam ter mais autonomia e competências. Qual é a sua opinião?
Não preciso de mais competências nem responsabilidades. Sei o que preciso de fazer e do que as pessoas precisam. Precisava era de dinheiro para conseguir concretizar. A Câmara não nos impede de fazermos obras de beneficiação numa rua. Sai-nos é do bolso. A Rua João Borges de Almeida está uma miséria. Esta semana, tendo em conta que as condições metereológicas iam mudar, nós alocamos os funcionários das suas tarefas normais e andámos a tapar buracos na rua. Coisa que não é da nossa competência. Mas também ninguém nos diz para não o fazer. Por isso digo que não preciso que me digam o que tenho de fazer ou que me dêem mais competências. Precisava era que me dessem mais meios para poder suprir, porque estando próximos das necessidades e vendo o problema a nossa tentação é ir socorrer, é ir fazer, e também ninguém nos diz para não o fazermos. Precisamos é de meios.
Carregosa tem um benfeitor. Isso não é uma mais-valia?
No Carnaval fizemos uma festinha de Carnaval para angariar fundos e depois com esse dinheiro até fizemos umas barraquinhas para disponibilizarmos para as associações e para comerciantes, para as festas. Para mim, tanto mérito tem quem pode colaborar com muito, porque tem muito, como quem só veio lá comprar uma sandes, porque tem pouco. Noto esse espírito de colaboração nas pessoas da freguesia. Nunca tivemos assembleias tão participadas como temos agora. As pessoas estão mais atentas aos destinos da freguesia. E isso é importante, porque as pessoas não têm que ‘comer’ tudo o que lhes dão. Têm que perceber o que se passa. Acho que as pessoas têm curiosidade em perceber porque é que as coisas são desta forma, o que é feito, e isso é bom. Estamos ali em representação do povo. A dívida neste momento está reduzida a 10.000 euros. Pagámos a dívida, temos as despesas correntes em dia, temos adjudicados à volta de 800 metros de passeio na Rua S. Salvador, fizemos obras na praça, tínhamos lá um problema crónico que tinha a ver com as bombas da fonte e com a iluminação, colocámos também rega automática numa parte do jardim porque temos de valorizar o património e não de deixar as coisas morrer, fizemos um muro numa rua - conseguimos a cedência dos terrenos e construímos o muro -, temos projectados diversos alcatroamentos em determinadas vias que estão ainda em terra batida, temos isso previsto com a colaboração da Câmara, fornecendo eles o material, fornecendo nós a mão de obra. São obras na ordem dos 30 e tal mil euros. Tudo isto tem custos. Mudámos toda a iluminação no auditório... Ou seja, apesar das dificuldades que tínhamos, prevemos um investimento na ordem dos 30 e tal mil euros. Isto só com um orçamento que está a ser acompanhado com muito rigor é que é possível. Não consigo admitir determinado tipo de comportamentos, de bocas, ainda por cima de pessoas que deixam a casa completamente desarrumada, sem papéis, com dívidas, completamente desorganizada e desorientada. Não consigo.
Refere-se ao anterior executivo?
Sim.

