“Não tem sido fácil, tem sido possível”

Conversámos com Manuel dos Santos sobre a história e a situação actual da associação.

 

Como e com que fins nasceu esta instituição?

Esta instituição começou quando no dia 8 de Dezembro de 1973 um grupo de amigos relacionados e ligados à paróquia decidiu avançar com um projecto que se destinava a ajudar financeiramente e fundamentalmente através de bens alimentares muitas pessoas com dificuldades financeiras e de outra ordem. Esse grupo começou a trabalhar. Como se compreende nesse tempo as dificuldades eram umas. Hoje são outras, completamente distintas. Começou com reuniões semanais. Mais tarde, mensais. Fazia-se um peditório mensal no final das eucaristias da freguesia. Falámos com o prior da época, o padre Carvalho, que autorizou que fizéssemos esse peditório. Esse dinheiro que juntávamos servia fundamentalmente para entregar bens alimentares. Depois este grupo começou a crescer. Penso que neste momento serei o único elemento fundador ainda em actividade. Nesse tempo juntámo-nos e começámos a trabalhar nesse sentido. Com o andar dos tempos, os problemas foram-se alterando e nós também fomos alterando a nossa postura perante os problemas. Posteriormente, começou a haver a necessidade de arranjar roupas, por exemplo, que era uma coisa que inicialmente não fazíamos. Depois, é preciso arranjar camas para doentes acamados, cadeiras de rodas, variadíssimas coisas que são necessárias para apoiar as pessoas com maior dificuldade.

 

Falemos das vossas instalações.

Esse é um dos nossos grandes problemas. As instalações que tivemos até hoje foram sempre provisórias. Nunca as tivemos definitivas. Graças a Deus, há sempre alguém que nos deixa um cantinho para estarmos, sem pagarmos renda. Estas últimas instalações, que são as melhores que já tivemos, são as daquele edifício que está em frente à igreja, a que chamamos o edifício da escola velha. Essas instalações são boas, não podemos de forma nenhuma dizer que não. Só que pretendemos ter um espaço maior, que pudesse incluir um armazém para colocarmos os géneros alimentícios, porque não distribuímos os alimentos todos de uma vez. Os perecíveis têm um tratamento. Os não perecíveis podem ser distribuídos ao longo do tempo. Então, para além das campanhas de Natal - que são as mais importantes, esta é a verdade - também vamos distribuindo ao longo do ano, conforme as necessidades. Para isso, o nosso “armazém” não é tão bom assim. Por outro lado, temos uma quantidade de equipamentos – acho que neste momento temos mais de uma dezena, seguramente, de camas articuladas e temos umas doze ou 13 cadeiras de rodas – e todo esse equipamento precisa de espaço.

 

Como estão de sócios?

Estamos numa fase de reorganização dos mesmos. É que dadas algumas dificuldades que tivemos, mesmo em termos de direcção, há muitos sócios que o são apenas no papel. Na realidade não o são.

 

Como conseguem os vossos apoios?

Para além dos sócios, no Natal normalmente fazemos uma campanha para as empresas e para alguns particulares, enviando uma carta. E tem resultado, inclusive com empresas de fora do concelho. Muitas migalhas dão uma boa fornada. Tem sido não diria fácil, mas possível.

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