Associação de Macieira de Sarnes reúne entusiastas da malha todas as quinzenas

Vêm de Arrifana, Arouca ou S. João da Madeira. Há quem venha de fim-de-semana da Suíça e apareça lá. São 24 as pessoas que se reúnem aos Sábados, de 15 em 15 dias, num terreno contíguo à sede da Associação de Reformados e Idosos de Macieira de Sarnes, para 'puxar a malha'. A assistência chega a reunir 100 pessoas. 

“Há muita gente que vem aqui porque gosta de ver a malha e que não pode jogar porque não tem força. Embora haja aqui pessoas com 80 anos a jogar. Eu vou ‘puxar a malha’ e não chego com ela lá. Mas eles conseguem. São muitos anos disto”, explica Manuel Albuquerque, da Associação de Reformados e Idosos, que organiza os encontros e que inclui também uma secção de pesca.

Segundo o presidente da assembleia geral, a associação dá um incentivo aos jogadores, que se traduz em prémios que se vão angariando na indústria local e na de S. João da Madeira. “São tipo prémios de consolação”, diz. E bem os merecem. “Há aqui um senhor que tem 81 ou 82 anos e que está ali em tronco nu a ‘puxar a malha’. Esteja calor ou esteja frio. E esteve quase à morte. Está ali ‘cinco estrelas’. Diz que deu um pontapé na morte. ‘Puxa a malha’ como os outros. Às vezes até ganha”, conta o responsável, que esclarece que os participantes dão uma inscrição simbólica, de “2 ou 3 euros, às vezes nem isso”. “A nossa finalidade não é ganhar dinheiro. É tentar pagar aquilo que gastamos, basicamente”, afirma.

Dar apoio aos idosos e ter um local onde eles possam permanecer durante a tarde e jogar cartas, damas ou dominó é a finalidade da associação sem fins lucrativos, que também dá apoio aos mais carenciados. O único apoio que a associação recebe são os 450 euros por ano que a Junta de Freguesia – que também apoia a associação a nível de água, luz e instalações - dá. Depois há os sócios - cerca de 101, dos quais “entre 80 e 90” são pagantes - que pagam um euro por mês. A colectividade chegou inclusivamente a possuir duas viaturas de nove lugares para ir buscar e levar os idosos a casa.

“É impossível jogar à malha no alcatrão”

O que neste momento preocupa participantes e organizadores é o estudo feito pela Junta de Freguesia local que visa alcatroar o terreno onde se fazem os jogos que se traduziria no fim dos mesmos naquele lugar. “Até se falou em alcatroar um bocado [do terreno] e deixar o outro bocado, mas isso também ficava mal. Temos de ser correctos e dizer que ficava ali uma obra mal feita”, admite Manuel Albuquerque, que esclarece que a Junta propôs outro terreno à associação, para onde esta se recusa transferir. “O alcatroamento fica bem, sem dúvida nenhuma.

O problema é que deixa de existir a malha. Não vou ser eu que vou andar com as trouxas para outro lado. A junta de freguesia dá-me um terreno lá em cima. Mas não tem condições. Não vou daqui para lá”, afirma Vítor Barbosa, presidente da associação. Opinião corroborada pelo presidente da assembleia geral: “A Câmara já disse que provavelmente não vai deixar. Mas não sei. São problemas deles – Junta e Câmara. Mas alcatroar aquele espaço vai-nos tirar daqui a malha. É impossível jogar à malha no alcatrão”.

A Associação de Reformados e Idosos de Macieira de Sarnes foi fundada em 2005 por António Pinho, que vive actualmente em Barcelos. “Ele vinha uma vez em viagem na zona de Lamego e viu uma placa a dizer “ARI” e “Associação de Reformados e Idosos”. Começou a pensar e disse à mulher que seria uma boa ideia para uma associação em Macieira. Começou aí”, conta Manuel Albuquerque.

Durante a sua existência, a agremiação experimentou um “declínio”, que durou “dois, três ou quatro anos”, durante o qual esteve parada. Até o responsável e o resto da sua equipa ter a ideia de reabrir a associação e acrescentar-lhe a secção de pesca. Agora estarão aqui até 2020, altura de novas eleições. “Vamos ver se seguiremos, se nos candidatamos outra vez, se há outros candidatos. Vamos ver quem se apresenta para gerir isto porque isto dá muito trabalho. Não quero que amanhã a gente saia e venham outros estragar ou destruir. Conhecemos as pessoas daqui e sabemos quem vem por bem e quem vem por mal”, diz.

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