A sapataria enquanto forma de arte

Valorizar a arte do sapateiro é o objectivo de António Moreira, administrador da sapataria Totty.

Valorizar a arte do sapateiro é o objectivo de António Moreira, administrador da sapataria Totty, cujo projecto de um estabelecimento-museu dedicado aos sapatos e localizado junto ao jardim público deverá ser inaugurado até ao final do ano.

Há “dez ou onze anos” a gerir em part time a sapataria Totty, António Moreira afirma que nunca se arrependeu do que dedica ao espaço localizado nas galerias comerciais do Intermarché de Oliveira de Azeméis. “Às vezes o retorno não é o que deveria ser. Mas estou com o estabelecimento por carolice, porque gosto. Vou-o mantendo”, diz.

Ligado há 30 anos ao negócio dos sapatos, o administrador revela que a sua loja tem “muito bons” preços todo o ano e que é mais barato lá comprar. “Estamos numa zona de sapatos, as pessoas têm acesso às fábricas. Temos de ter preços bons porque senão as pessoas acabam por ir directamente às fábricas. Nesta zona tem que ser assim”, admite, apontando o Natal, Julho e Agosto como épocas altas de venda.

O calçado com mais procura na Totty é o calçado masculino, ao contrário do que acontece noutros estabelecimentos que, de acordo com o comerciante, escoam mais calçado feminino.

A abertura do estabelecimento-museu junto ao jardim público configura sem dúvida “um sonho”. “Fui juntando um espólio de artigos de sapateiro e fui adquirindo coisas antigas pois gosto muito. Criei também um pequeno museu em minha casa. Tenho uma colecção de sapateiros em miniatura, formas antigas, máquinas, etc. Tinha de arranjar um estabelecimento”, explica. Para esse efeito, António Moreira queria uma loja antiga. “Por acaso encontrei uma loja que já era sapataria. No mercado à moda antiga fiz uma exposição com as coisas antigas que tinha”.

A nova loja será um museu e um estabelecimento de venda ao público em simultâneo. “Quero que seja turístico e emblemático e que qualquer pessoa que venha a Oliveira de Azeméis tenha que visitar a loja”, diz, descrevendo: “a minha ideia é estar lá uma pessoa a fazer sapatos. Para depois as pessoas mais novas que não sabem como se fabrica sapatos e como eram as máquinas antigas chegar ali, apreciar aquilo e depois, se quiser, adquirir um par de sapatos, uma bolsa ou o que quiser”.

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