Metalomecânica é área de futuro

Os desafios da indústria metalomecânica foram tema de conversa com Augusto Queirós, director do núcleo de Oliveira de Azeméis do CENFIM.

A escassez de mão-de-obra contrasta com uma indústria em pleno crescimento. Os desafios da indústria metalomecânica foram tema de conversa com Augusto Queirós, director do núcleo de Oliveira de Azeméis do CENFIM.

O emprego é quase garantido e os salários são bons mas nem sempre há abertura por parte das famílias e a sociedade nem sempre é receptiva. A indústria metalomecânica luta contra uma série de adversidades e o CENFIM quer ser parte integrante da solução. É necessário captar jovens para uma indústria em necessidade.

Como surge o núcleo de Oliveira de Azeméis do CENFIM?

Os primeiros núcleos do CENFIM a serem criados foram os da Marinha Grande, Lisboa e Porto. Foi uma política da administração do CENFIM da altura não fazer um centro de formação grande, mas sim criar pequenos centros que ficassem muito perto de onde está centralizada a indústria, o que é o caso do CENFIM de Oliveira de Azeméis. Em 1987, o então director do CENFIM procurou com o apoio da Simoldes criar condições para que fosse criado em Azeméis um centro de formação. Foi isso que levou a que no início de 1987 começasse o CENFIM em Azeméis em instalações que pertenciam à Simoldes, de uma maneira provisória. Começou-se a laborar, a fazer as primeiras formações, depois foi-se estendendo. Depois disso arranjaram-se os dois pavilhões onde estivemos uma série de anos. E mudámos para aqui. Na altura começou-se com as qualificações, depois passou-se à aprendizagem nível 2, e depois passou-se à aprendizagem nível 3, que agora é nível 4. Hoje temos uma série de valências que vão desde a aprendizagem nível 4, que são os cursos de dupla certificação que nós neste momento damos, que são dedicados essencialmente a jovens, até ao pós-laboral, em que temos os EFA’s, os CET’s, que são os cursos de nível 5, e temos tudo aquilo que são UFCD’s.

Cada vez é mais procurada mão-de-obra qualificada. O CENFIM tem sido capaz de dar resposta a estas solicitações?

Não. Isso deve-se a variadíssimas razões. Falo do caso de Oliveira de Azeméis, que é extensível a todos os núcleos do CENFIM. No ano passado, com as cativações que foram impostas a entidades como o CENFIM, tivemos de reduzir substancialmente o nosso volume de formação. Felizmente, este ano, a partir de Janeiro, deixámos de pertencer às entidades que estão sujeitas a cativações. Neste momento, temos o nosso orçamento reposto em toda a linha. Até com o acréscimo de alguns milhares de euros. O outro constrangimento, que é preciso ter em conta, é a natalidade. Não há dúvidas de que cada vez vai haver mais dificuldades em ter pessoas jovens nos cursos profissionais. A natalidade é o que é. Havendo este decréscimo, isso vai-se reflectir em todos os sectores do mercado. Aliado a isto, temos o crescimento das empresas. No ano passado, o sector metalúrgico exportou para cima de 16.000 milhões de euros. Estamos a falar de valores, de procuras e de aumentos de produções que levam a que haja uma maior procura por parte da maioria das empresas e essencialmente de pessoas qualificadas. Não estamos a falar de indiferenciados. Estamos a falar de pessoas capazes de trazer uma mais-valia no seu trabalho, nas empresas e nos locais de trabalho.

(Leia a entrevista completa na edição em papel do dia 8 de março de 2018)

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