A garagem de António Santos Martins foi o lugar onde nasceu a AZEMAD, empresa sediada em Oliveira de Azeméis, que conta já com 51 anos de existência.
Chefe da secção dos móveis para as máquinas de costura na Oliva, António Santos Martins tinha a ambição de ser empresário. “Foi ele que construiu a sua primeira máquina. A AZEMAD, então intitulada António Santos Martins, iniciou actividade numa garagem, na primeira casa que ele teve”, conta Paulo Martins, filho do fundador e atual administrador da empresa, QUE fala do seu começo, crescimento e dos planos para o futuro em entrevista ao jornal A Voz de Azeméis.
Foram as peças soltas em talha as primeiras a serem produzidas pela empresa. “Há 50 anos usavam-se muito as peças soltas com muita talha, daí que o meu avô, como entalhador, e o meu pai, percebendo também da arte de entalhador, entendeu mecanizar o fazer da talha”. Credências de hall de entrada, mísulas, prateleiras ou espelhos estavam entre os produtos fabricados. Com o passar dos anos e dos costumes, a talha deixou de ter o uso que lhe era antes dado e a AZEMAD dá por terminado um período de cerca de 20 anos de trabalho exclusivo com ela. Altura em que passa a produzir mobiliário - já lá vão cerca de 30 anos.
Há cerca de 15 anos, surge a necessidade de criar uma marca, a AZEMAD, que passou a designação social há cerca de seis. “Havia a necessidade de criar uma marca, precisamente por causa de quando nos deslocávamos além-fronteiras. Ficou “AZE”, de Azeméis, e “MAD”, de madeira”, conta o responsável.
O foco principal da AZEMAD continua a ser o mobiliário. De acordo com Paulo Martins, se há 30 anos a empresa trabalhava exclusivamente com mobiliário doméstico, de há 20 anos para cá grande percentagem do serviço concentra-se no domínio do mobiliário de equipamento de hotelaria. Mais recentemente, surge o material desportivo. O mobiliário de hotelaria representa mesmo 70% do volume de faturação da empresa, dividindo-se os restantes 30% entre o mobiliário doméstico e o material desportivo. “É minha intenção fazer com que cheguemos a 2020 e tenhamos um equilíbrio na facturação. Ou seja, as três componentes na ordem dos 30%”. A empresa tem crescido sobretudo no mercado espanhol. “Neste momento temos connosco talvez 90% dos clubes da liga hóquei de Espanha connosco”.
O maior stick do mundo
“Quando a Azemad celebrou os seus 50 anos, tive a oportunidade de dizer no jantar comemorativo que a responsável e a culpada de nós fazermos sticks era a Câmara Municipal”, diz o administrador. Foi aquando do mundial de hóquei em patins em Oliveira de Azeméis que uma comissão executiva da organização do mundial convidou a empresa para fazer o maior stick do mundo para promoção do evento. “Acabámos por perguntar a nós próprios: ‘vamos fazer o maior stick do mundo. Porque não fazer sticks de competição?”. O primeiro stick que António Santos Martins fabricou teve inscritas umas iniciais especiais. “Correspondiam ao nome da minha irmã e ao meu nome” - diz, sorrindo, Paulo Martins – “acabei por encontrar dois na garagem de um colega meu, que fez o favor de mos facultar. Agora temos aí em exposição”.
Novos equipamentos
A empresa disponibiliza sticks de vários preços, que não diferem muito de stick para stick. O preço de um stick na venda ao público anda na ordem dos 65 euros. O lançamento de uma nova série de equipamentos complementares para hóquei em patins constitui a aposta para a época 2018/2019. Patins, botas, rodas, bolas, caneleiras, luvas, joelheiras e equipamentos para pavilhões, como balneários ou pisos vão fazer parte do rol de novos produtos da AZEMAD.
Sticks à medida
Paulo Martins fala do orgulho que sente quando a empresa é visitada pelas equipas de hóquei em patins. “Um dos pontos que faz com que tenhamos a simpatia dos atletas é precisamente nós estarmos sempre de portas abertas em relação a eles”. E destaca um ponto em que a AZEMAD se distingue da concorrência. “Conseguimos personalizar o stick. Conseguimos perceber porque é que um jogador gosta de um stick e conseguimos neste momento caracterizar esse stick. Há vários factores que podem caracterizar um stick”. A AZEMAD investe constantemente no produto e para isso tem protocolos com as universidades do Porto, Minho e Beira Interior.
“Acho que a AZEMAD tem feito muito pela evolução da modalidade. Muito mesmo”, afirma o administrador, que entende que a modalidade evoluiu nos últimos anos. “Não há clube nenhum num raio de 20 km que compre um stick. De certeza que haveria clubes aqui à volta que talvez já não tivessem a modalidade de hóquei em patins se nós não os apoiássemos. E isso sem interesse de retorno nenhum”, sublinha, apontando que o responsável pelo departamento de hóquei em patins da empresa tem autonomia para oferecer seja o que for ao hóquei de formação.
Novos caminhos
Outro dos produtos que Paulo Martins entendeu que a AZEMAD seria capaz de fazer são hélices para paramotores, produto também feito em madeira, “com muito know how semelhante ao dos sticks”. “O futuro a Deus pertence. Mas sem dúvida que passará por continuarmos a crescer”, garante, revelando outro projecto: a criação de uma área florestal. “Vamos ter uma floresta com árvores autóctones. Esse projecto está em marcha. Espero que até final deste ano ele esteja concretizado, já adquirimos o terreno”. Também o aumento de unidades industriais está na lista de objectivos. “Provavelmente vamos adquirir a segunda unidade este ano. Se continuarmos a ter o sucesso que temos hoje poderão vir mais unidades”.

