Uma das primeiras medidas do atual executivo camarário foi mandar cortar a água em vários espaços públicos da cidade de Oliveira de Azeméis.
Menos de um mês após a tomada de posse era anunciada a medida devido aos “consumos elétricos anormais e fugas de água nos equipamentos que se refletem nos custos superiores a seis mil euros na fatura mensal da autarquia”.
Apresentada assim desta forma, a medida não recebeu grande contestação.
De facto, a serem verdade estes custos, impunha-se uma solução. Mas uma solução rápida, uma solução que devolvesse com celeridade à cidade estes espaços de embelezamento onde os jogos de água são a peça central dos mesmos.
A rotunda do Largo Luís de Camões, ou simplesmente rotunda do Rainha como vulgarmente é conhecida, foi uma obra dos executivos do comandante Ramiro Alegria. Marcou um ciclo de expansão da cidade acompanhando um grande investimento privado que ainda hoje é uma grande marca arquitetónica da cidade - o edifício Rainha.
A rotunda foi inaugurada com pompa e circunstância e a sua concepção pretendeu homenagear as 19 freguesias do concelho com 19 bicas a jorrar água.
Ainda antes da construção do novo quartel dos Bombeiros, o Lions Cube de Oliveira de Azeméis ofereceu à cidade a interessante peça escultórica onde tem destaque um bombeiro que atravessa uma porta de um edifício em chamas com uma criança ao colo. Em simultâneo a água era lançada sobre as chamas numa bonita homenagem aos soldados da paz.
No jardim público não consigo precisar a época em que foi construído o pequeno espelho de água com o respetivo jogo de água mas julgo que terá sido no decorrer dos mandatos de Ângelo Azevedo num arranjo que foi feito no topo da Praça José da Costa.
Na La Salette a fonte na “gruta” junto ao lago também “secou”. Tem décadas e foi construída pela sociedade civil provavelmente pela Comissão Patriótica Oliveirense numa altura em que o bairrismo e o orgulho oliveirense se sobrepunham às questões políticas.
Estas intervenções urbanísticas feitas em diferentes épocas e por diferentes protagonistas tiveram um objectivo comum: tornar mais bela a cidade de Oliveira de Azeméis.
Por outro lado, e embora se perceba o objetivo anunciado para cortar “despesas excessivas”, não se entende que passado mais de meio ano sobre a decisão não se tenha feito qualquer intervenção técnica para resolver os problemas de fuga de água e excesso de consumo elétrico.
Fica até a sensação que existe a intenção de prolongar no tempo a interrupção como que a vincar a hipotética falha dos executivos anteriores. E já se ensaiaram, neste período de tempo, outras desculpas para além da despesa. A seca e os incêndios foram uma das desculpas. Mas isso já lá vai e está de novo a chegar!
Por outro lado, tenho a certeza que essa estratégia de prolongar no tempo o problema, se é que se trata de uma estratégia, não está a resultar porque sinto da parte das pessoas uma profunda indignação pelo atual estado destes espaços.
A gestão da coisa pública tem custos. Suspender a vida da cidade, pura e simplesmente para poupar, é um erro profundo.
mporta resolver este assunto. Vamos lá parar de meter água!

