Anas al-Basha – cantou a Vida!

 

Anas al-Basha de 24 anos, o responsável do “Space for Hope” foi mais um nome a juntar ao massacre de ALEPO. Terá morrido num bombardeamento atribuído às forças russas e do regime de Assad, referiu seu irmão Mahmoud Al Basha.

Anas al-Basha de 24 anos, o responsável do “Space for Hope” foi mais um nome a juntar ao massacre de ALEPO. Terá morrido num bombardeamento atribuído às forças russas e do regime de Assad, referiu seu irmão Mahmoud Al Basha.Contou à BBC que Anas se distinguiu como o palhaço de Alepo. Apesar das difíceis condições, este sírio de 24 anos continuou na cidade até ao fim, levando prendas e tentando animar crianças que estão a crescer numa cidade devastada. Anas, que se recusou a deixar Alepo, decidiu ficar para continuar o seu trabalho como voluntário para ajudar civis e dar prendas às crianças nas ruas e levar-lhes esperança, escreveu Mahmoud Al Basha. Anas celebrava a vida e levava a esperança a crianças que ao seu lado só viam cinzas e pó. Neste tempo que já não tem tempo nem para crianças nem para “velhos”, olha-se tantas vezes para o acessório e esquece-se o mais importante. “Levar-lhes esperança”, levar e dar vida, o que importa e urge. Num tempo em que se tenta a toda a pressa legislar sobre a Eutanásia, esquece-se de levar a vida a pessoas que num dia 24 de Dezembro se encontram esquecidas num lar e que buscam famintas um olhar e um carinho, na solidão gelada em que se encontram. Neste tempo “esquecem-se” também pessoas nos hospitais e abandonam-se crianças. No último massacre levado por um adolescente nos EUA, este, dizia em gravação prévia que ninguém gostava dele, que a vida dele não importava para ninguém e que vivia numa tremenda solidão. Onde estavam os pais e os amigos ? Vida e Morte. Fala-se de eutanásia e tantas coisas que podiam e deviam ser feitas antes e em que a Vida tivesse primazia e então depois se poderia falar da eutanásia. Como é tão frágil e ténue o que separa uma da outra. Porque a Vida é maravilhosa (mesmo com tantas lágrimas…) e viver é um privilégio e por isso comemorá-la deve ser sempre motivo de alegria e gratidão. Ninguém pediu para nascer. Não é verdade? Graça ou acaso, podem ser respostas, consoante o pensamento. Livre. E para morrer, como já somos seres pensantes, podemos fazer o que quisermos. Sim? Será mesmo? Sim, somos livres e isso é muito bom e ser livre implica não se fazer juízos de valor, porque cada um é de facto, “um mundo”, mas implica pensar e reflectir. Importante é reflectir sobre o que é melhor, mas tentando encontrar o melhor caminho, porque de facto, cada caso é um caso. Tenho amigos que defendem a Eutanásia e outros que não a aceitam. Como disse Lessing, se Deus lhe tivesse oferecido na sua mão direita a verdade e na esquerda só a exigência de a procurar, mesmo à custa de erros contínuos, ele pediria a oferta fechada na mão esquerda, persuadido que a verdade pura pertence só a Deus. Belíssimo! É por isso que pensamentos dogmáticos não devem nunca estar em cima da mesa. Mas confesso a minha tristeza quando uma turma de alunos com 16 e 17 anos respondiam se eram a favor ou contra a Eutanásia, responderam sem mais, que eram a favor. Porque terão respondido isso, imediata e instantaneamente? Temo a resposta. Sinais dos tempos? De que tempos?        

 

Anas al-Basha tentou que as crianças não ficassem tristes com coisas que não têm explicação. Deu a vida por isso. Saibamos ver para lá da linha do horizonte e se nada virmos, pelo menos, saibamos respeitar o ser absoluto e sagrado que cada um é! Sabê-lo-emos? É isto que penso que falta a este mundo, o respeito pela diferença. Crentes ou não, seria importante que ninguém esquecesse ninguém e que não se desistisse de ninguém, começando pela família e acabando no Estado.

Djalma Moscoso Marques

 

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