Tacitismo...

Este ano a RTP não fará, como tem feito nos últimos anos, o seu programa de sábado à tarde a partir de Oliveira de Azeméis.

Ninguém imaginava há 22 anos atrás aquando da realização da primeira edição do Mercado à Moda Antiga que o evento viria a ter a envergadura e a importância que hoje tem.

Ideia genial do Nelson Costa e da Ana Nadais, alimentada desde a primeira hora pelo genuíno envolvimento associativo, o Mercado à Moda Antiga cresceu ano após ano e transformou-se num cartaz impressionante de afirmação do concelho e das suas gentes.

A dinâmica que se instalou no seio das associações já não dispensa o frenesim destes dias intensos. Nem o cansaço extremo e os sacrifícios óbvios fazem desistir dirigentes e amigos das associações que nestes dias se mobilizam a 100% para dar corpo ao  evento que nos projeta para todo o lado.

Por ourto lado, este ano o Mercado à Moda Antiga conta com um revés na projeção impossível de remediar. A RTP não fará, como tem feito nos últimos anos, o seu programa de sábado à tarde a partir de Oliveira de Azeméis.

Não conheço os motivos que levaram a esta decisão uma vez que o evento é muito querido pela televisão pública mas sei que, não acontecendo, terá um impacto negativo irremediável na projeção das nossas tradições, do artesanato, dos comerciantes, dos nossos artistas musicais, das associações e das suas atividades.

Corre a ideia, espero que errada, que este executivo municipal se pretende distanciar do “mediatismo” dos anteriores executivos. E se for este o verdadeiro motivo mais lamentável é porque o tacitismo político não devia pôr em causa nem o trabalho realizado de afirmação do nosso concelho e muito menos prejudicar todos os agentes locais que tinham neste programa uma montra invulgar que nos levava a todo o mundo.

A perder ficam também os milhares de emigrantes que, impedidos de estar presentes fisicamente, aproveitavam estes preciosos minutos para matar saudades.

Prescindir de instrumento tão valioso de valorização territorial significa perceber pouco das aspirações das gentes e das instituições.

Espero que tenha sido um caso sem exemplo e que rapidamente exista vontade de levar mais longe o nome de Oliveira de Azeméis. Até porque se a questão for o tacitismo os políticos podem sempre abdicar do seu tempo de antena e cedê-lo ao movimento associativo e às forças vivas da terra.

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