A nossa cidade faz lembrar uma daquelas famílias burguesas do século passado que teve o seu esplendor, mas que agora sobrevive dos velhos pergaminhos e da ideia de brilho que ainda resta na memória de alguns.
Estão a imaginar uma família que, por não cuidar daquilo que é seu, vê as suas pratas a escurecer dia após dia, as joias de família que vão perdendo as pedras preciosas, mais e menos preciosas, sem saber se foi a criadagem que as levou ou se, pura e simplesmente porque estava a porta aberta, entrou um qualquer amigo do alheio?
- Esto é o cenário que encontro para ilustrar a realidade que resolvi trazer hoje para reflexão.
O edifício da antiga mercantil é propriedade do município de Oliveira de Azeméis. É um edifício inserido numa das ruas da nossa cidade que tem história, que tem alguma importância arquitetónica e que está num estado de degradação, de recuperação muito difícil. O dono tem tido este seu bem patrimonial abandonado. O que projeta fazer dele e com ele, no futuro próximo, ninguém sabe!
O antigo edifício das Finanças e da Fazenda pública está, há já vários anos, a degradar-se, dia após dia. Nos últimos invernos, em dias ventosos, vai perdendo “elementos” que ameaçam a segurança pública.
O seu dono tem mantido este bem do seu património abandonado e a situação mantém-se. O que projeta o seu dono fazer dele e com ele, no futuro próximo, ninguém sabe!
O edifício do antigo posto médico, na zona do Gemini, está à mercê da vilanagem que tem vindo a proceder a atos de destruição diária que o deixam com aquele miserável aspeto que faz perpassar a imagem de que se trata de uma “casa sem dono”. O abandono é notório e visível. O que projeta o seu dono fazer dele e com ele, no futuro próximo, ninguém sabe!
O edifício do salão nobre do município, no topo norte do jardim público, está entregue à sua própria sorte. Há já algum tempo que não acolhe, nem atos nobres nem atos pobres. As suas condições degradam-se todos os dias a olhos vistos.
Do mesmo edificado faz parte, o já tantas vezes falado, “café Arcádia”. O que projeta o seu dono fazer dele e com ele, no futuro mais próximo, ninguém sabe!
Voltando ao cenário inicial com o qual ilustrei este pedacinho da nossa história coletiva, fica-se com a ideia de que a família burguesa acima descrita foi para o Brasil, ver se ainda tinha as fazendas que la havia deixado e que a “criadagem” que cá ficou resolveu fazer jus àquele velho ditado:
- Patrão fora, dia santo na loja.
Esta é a carta, sem lacre, remetida aos “patrões”, dando-lhes conta de que é tempo de voltar, porque, senão, depois de as “joias” acabarem, são eles que vão perder os dedos.

