Por essa estrada #4

Sou cliente assíduo dos CTT; há anos que o sou, ainda não havia e-mail ou sms e a única forma de contactar os amigos era por carta.

Sou cliente assíduo dos CTT; há anos que o sou, ainda não havia e-mail ou sms e a única forma de contactar os amigos era por carta. Continuo a ser cliente dos CTT, por motivos diferentes, mas sempre do mesmo serviço: postal.

Por isso, quando há dias me perguntaram se eu queria comprar uma lotaria, no meio de tantos livros de autores de gosto duvidoso, artigos de papelaria, experiências de vida e afins, um banco; respondi perentoriamente que não; que tenho saudades do tempo em que os correios serviam  para enviar e receber postais.

A simpática funcionária respondeu-me que se assim fosse o negócio não é auto-sustentável.

A questão que coloco é simples: os correios servem para um qualquer plano de negócio ou deverão ser uma forma de contacto entre pessoas, entre o centralismo de Lisboa e o interior, para gente que não é obrigada a ter computador ou e-mail, para suporte a empresas que têm que enviar encomendas e não têm serviço de transporte próprio.

Por isso, como cidadão, como social-democrata, penso que a privatização dos CTT foi um erro de lesa-pátria.

Assim como foi a privatização da EDP, da REN, da TAP, da ANA, os transportes públicos, as concessões de estradas, da água e do saneamento. Quase todas oferecidas a grupos de interesse económico; não foram realmente vendidas ou irão ser!

Vivia-se um momento terrível após os governos de Sócrates e do PS, mas olhou-se apenas para o imediato e lapidaram-se activos do Estado – nossos! - que nunca mais irão ser recuperados.

São negócios que podem correr mal ao Estado? Se forem mal geridos, por tecnocratas de carreira duvidosa e sob a escolha directa de ministros mal formados e mal preparados, sim. Caso contrário, não. Por isso defendo a abertura de concursos públicos internacionais para a carreira de gestor público.

E se correram mal, os nossos impostos serão usados para cobrir os custos; ou serão usados para garantir um país mais justo e equalitário!

Não creio que os nossos impostos deverão servir para pagar nacionalizações da banca, feitas à pressa, em cima do joelho, sem nenhum estudo de impacto económico-financeiro. E por falar em banca, alguém sabe o que faz o IFD? Porque é que não é a CGD a funcionar como banco de fomento e a deixar a banca comercial para os bancos privados?! Não é concorrência desleal?

Não creio que deverão ser usados para pagar o aluguer de aeronaves para combate a incêndios se a prevenção e os meios do Estado – Protecção Civil e Exército – deveriam  estar aptos a isso, 365 dias por ano.

Não creio que o Estado deva injectar quase 350 milhões de euros na RTP, como aconteceu em 2012, após uma campanha para a legislativas onde Passos Coelho prometeu a privatização do canal de televisão. Mas não me esqueço de José Alberto Carvalho a pedir desculpa ao Ministro Santos Silva ou aquela emissão em directo de Angola com Relvas e a oligarquia de José Eduardo dos Santos.

O Estado – nós! – devemos garantir as forças armadas, a protecção civil, a administração do território,  a energia e a sua distribuição, a água, o saneamento, a representação diplomática. Na educação e saúde, cada um deverá escolher o seu sistema; sendo financiado quem necessite, independentemente da escolha. Deveremos ser reguladores e não podemos ser parte interessada.

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