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Oliveira de Azeméis pode e deve mostrar ainda mais ambição. Temos massa crítica para fazer mais e melhor.

No início da década de 90, enquanto assistia a uma conferência no Instituto Universitário Justiça e Paz em Coimbra, fui surpreendido pela intervenção de um dos oradores que se referiu ao nosso município pela baixa capacidade de atração.

O palestrante era, tão-só, o presidente da Comissão Executiva de uma das principais instituições financeiras do País.

Não me detendo na (in)felicidade do exemplo, reconheço-lhe o mérito de, inadvertidamente, identificar uma das principais fragilidades do concelho: então, como agora, não se evidencia nem está na moda. A autarquia concebeu logotipo e símbolo, mas a marca “Azeméis é vida” não tem revelado capacidade de afirmação. É crucial inverter este estado. É fundamental dar a conhecer as ofertas do concelho e as áreas que nos diferencia e distingue positivamente.

As forças vivas do concelho devem ter o engenho de definir estratégias de afirmação e crescimento, verdadeiramente mobilizadoras e credíveis, de forma a tornar o concelho mais atrativo. É indispensável construir uma imagem externa moderna, envolvendo os cidadãos e restituir-lhes o orgulho merecido. Criar condições de investimento, trabalho, educação, riqueza e aumentar a autoestima de quem aqui reside é a forma mais eficiente de fixar a população. Nesta matéria, estar na moda não é um luxo, é um desígnio!

Estar na moda envolve, entre muitos outros, a disponibilização aos oliveirenses de um acesso simples e gratuito à internet. Realça-se, por positiva, a iniciativa da autarquia disponibilizar, desde há alguns anos, acesso à internet de banda larga a quem circula na zona pedonal entre a Praça da Cidade e o jardim público de Oliveira de Azeméis - iniciativa que não pode estagnar ou cingir-se à cobertura atual. A evolução tecnológica é constante, os desafios, crescentes e a infraestrutura instalada encontra-se obsoleta. Deve ser aumentada a velocidade de navegação, alargada a área abrangida, ampliada significativamente a oferta de serviços e informação online e, finalmente, ponderada a criação de novos pontos de acesso.

Neste processo, todos devem ser envolvidos: autarquia, empresas sedeadas no concelho e cidadãos. A Comissão Europeia disponibiliza um orçamento de 120 milhões de euros para o período de 2017 a 2019, destinados a financiar o programa “WiFi4EU” que contempla a instalação de equipamento Wi-Fi para utilização gratuita nos espaços públicos, nomeadamente, parques, praças, edifícios públicos, bibliotecas, centros de saúde e museus de todo o território europeu, constituindo os municípios, a lista de entidades elegíveis para se candidatarem à iniciativa, entre os quais, Oliveira de Azeméis.

A iniciativa pretende ser o embrião da criação de uma “rede europeia”, visa “interligar até 2020 todas as povoações e cidades da União Europeia dotadas de acesso gratuito à Internet sem fios em torno dos principais centros de vida pública” e garante compensações financeiras às autarquias candidatas.

O processo é, aparentemente, simples: os municípios, querendo, apresentam as suas inscrições numa plataforma criada pela Comissão Europeia, devendo candidatar-se o mais rapidamente possível após o lançamento oficial do convite em meados de maio. Também aqui a celeridade da resposta autárquica é fundamental: o valor a facultar pela Comissão Europeia beneficiará as autarquias mais céleres e o montante pode ser destinado à aquisição de equipamento novo ou à modernização da instalação existente.

 

Oliveira de Azeméis pode e deve mostrar ainda mais ambição. Temos massa crítica para fazer mais e melhor. Do embrião proposto, valores disponibilizados pela União Europeia e em parceria com as empresas tecnológicas locais e Universidade de Aveiro devemos ousar criar soluções que melhorem o quotidiano dos oliveirenses e fomentar uma economia mais criativa oferecendo condições para que a cidade se torne, verdadeiramente, inteligente e aí sim, podermos voltar a estar na moda. É irreal? Não creio. Mas sim, é trabalhoso. Vamos ao trabalho?

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