Temos assistido na última semana a um preocupante surto de sarampo dentro de algumas unidades hospitalares do Norte do País. Estão já confirmados 53 casos de sarampo e mais de 120 casos suspeitos.
No último ano as situações de catástrofe naturais, tragédias humanas ou epidemias, como a legionella ou agora o sarampo têm uma frequência sem paralelo na nossa história mais recente.
A geringonça insiste que estamos a viver uma época dourada, com um crescimento económico acima da média dos países da União Europeia, aumento do salário mínimo, aumento das pensões mínimas…
O país real é diferente. Sentimos que o Estado não tem cuidado de investir na proteção ou segurança das pessoas. Na saúde, na segurança nacional, na proteção civil.
Os exemplos dos incêndios do ano passado, a má preparação e organização para a prevenção de riscos, a par das deficiências e carências das nossas unidades hospitalares, são reveladas a todo o momento. De repente, em dias, morrem centenas de pessoas ou são infecionadas centenas de pessoas. Num instante. Estes sinais indiciam que o Estado servidor ou protetor dos seus cidadãos afinal não existe, nem está preparado para reagir a qualquer situação de perigo que possa ocorrer.
E isto deve-nos deixar preocupados. Até porque, não vemos este Governo a assumir nenhuma responsabilidade sobre estes problemas ou a curar de inverter a sua postura relativamente ao futuro.
Para a prevenção dos incêndios e das catástrofes naturais, a prevenção surgiu por via legislativa. Impôs-se aos proprietários a limpeza dos matos até 15 de Março, e em caso de incumprimento, pesadas coimas. Entretanto, a urgência deixou de ser urgente e adia-se esta obrigação até Junho, certamente por razões de fé.
As Câmaras Municipais eram obrigadas a alterar ou rever os seus Planos Municipais de Defesa da Floresta contra Incêndios, num prazo impossível. Ao invés, para além de não cumprirem, têm-se limitado a dar a conhecer aos seus munícipes estas medidas apressadas e sem nexo do Governo.
E o que é que o Governo fez para além destas medidas para os cidadãos cumprirem?
Seguindo este modelo de navegação à vista, a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis descobriu que, afinal, é preciso criar todo um novo serviço de proteção civil, robusto, uma grande estrutura com recursos humanos e equipamentos que possam cuidar dos oliveirenses e prevenir grandes danos. Como?
Num gesto solidário com o Governo, tem promovido ações de esclarecimento junto dos proprietários dos terrenos informando-os de que ou limpam os seus terrenos ou sofrem pesadas coimas.
E agora pergunto: se existir uma catástrofe, uma epidemia ou uma calamidade, em OAZ ou na região. Ou se um oliveirense tiver uma dor de barriga. Teremos condições para proteger os nossos concidadãos, para acudir os oliveirenses? O nosso Hospital está preparado para isso?
Somos um concelho com uma forte pujança industrial, com uma baixa taxa de desemprego e damos um importante contributo para o aumento do PIB nacional. Qual o retorno para os oliveirenses desse contributo, para o seu cuidado e bem estar?
Há poucos anos atrás o atual Secretário de Estado da Saúde, Dr. Fernando Araújo, então Presidente da ARS Norte defendeu a necessidade de construção dum novo Hospital a sul do Entre Douro e Vouga, em Oliveira de Azeméis. Estou certo de que manterá esta sua posição.
De que é que o Executivo Municipal está à espera?

