Estávamos em 2012 e a segunda edição da Casa dos Segredos batia recordes de audiências. Um dia, na redacção, há alguém que me pergunta: “olha lá, o que é um croissant prensado da Doce Oliveira?”.
A pertinente questão foi-me colocada porque sabiam que Fanny Rodrigues era, tal como eu, de Oliveira de Azeméis. Logo, eu deveria saber o que seria a tal misteriosa iguaria. Lá expliquei que era só o melhor croissant do mundo e que podiam apresentar-me os melhores espécimes folhados, os mais requintados exemplares da pastelaria francesa, que eu jamais os preferiria ao croissant de brioche atascado em queijo e fiambre, tostado por fora, morno por dentro...de preferência acompanhado por um galão de máquina...que é a única forma de galão que deveria existir.
Vivo há praticamente 17 anos em Lisboa, já comi tudo o que há para comer de pão e afins de norte a sul do país. E, por mais que me venham com pães de Mafra, Alentejo, bolo do caco e afins, nada bate o que se faz nas nossas padarias e pastelarias. Até o conceito de uma padaria com boa pastelaria é algo que está muito circunscrito a esta zona do norte-litoral, pessimamente imitado naquela tenebrosa cadeia de panificação fast food cujo nome não reproduzo para não levar com um processo em cima.
Os norte-americanos, com o seu sentido arreigado de comunidade, pegam nas mais ínfimas peculiaridades gastronómicas de cada terra e fazem disso bandeira. Os mexilhões são bons aqui? Bote-se um cartaz gigante à entrada da terriola com um mexilhão XXL! A caldeirada de castor é a especialidade da terra? Crie-se a feira anual da caldeirada do castor, com uma pessoa mascarada do dito bicho.
Nós, oliveirenses, somos barra na padaria e pastelaria. E devíamos fazer disso uma bandeira. Os croissants da Doce Oliveira, os do Gemini e os da Flor de Azeméis (menos famosos mais igualmente bons) são uma sinfonia e dão dez a zero aos enjoativamente mediáticos da Bénard do Chiado ou aos ridiculamente calóricos do mítico Careca do Restelo.
O pão é do melhor que se faz neste país e a Laranjeira tem a melhor pastelaria entre Douro e Vouga. E isto não é o saudosismo ou a fome a falar. É a análise rigorosa de quem acha que a felicidade também é um croissant misto prensado e um galão de máquina bem tirado.
O nosso pão de Ul daria toda uma crónica...mas essa fica para uma próxima oportunidade.

