O actual executivo afirma que foi apanhado de surpresa. O anterior diz que já tinha informado sobre a situação. A culpa não é do contabilista, mas de dois empreiteiros.
O primeiro que começou a obra, faliu e desapareceu. O que lhe sucedeu, abandonou a obra a meio reclamando verbas que a Câmara recusou pagar e, agora, está tudo em Tribunal. Resultado: vamos ter de devolver meio milhão de euros relativos ao Centro Interpretativo do Vidro que funcionaria na Casa do Mateiro no Parque de La Salette, e deixaremos de receber 1,4 milhões de euros de fundos comunitários para terminar a requalificação da Casa. Não esquecendo, ainda, o resultado final do processo que vai decorrer em Tribunal que poderá dar razão ao empreiteiro número dois. Bom trabalho rapazes!
O que me causa estranheza neste processo é que não existindo responsabilidade (aparentemente) da autarquia por uma falência e um abandono de dois empreiteiros diferentes, não há mecanismos legais que travem a devolução de verbas provenientes de fundos comunitários? Já tinha existido uma prorrogação do prazo de execução da obra, pois estava prevista terminar em 2016.
Em Março de 2017, a Câmara tinha sido informada que teria de devolver o dinheiro e, de acordo com Joaquim Jorge, na altura na oposição, só agora teve conhecimento desta situação tendo em conta a notificação formal sobre a revogação do financiamento. O PSD diz o contrário, ou seja, que a oposição estaria ao corrente do problema.
Custa-me a acreditar que o PS não imaginasse tal situação quando era oposição, pois das duas uma: ou estava claramente distraído, ou pura e simplesmente deixou andar para ver no que dava. Ora, então isto agora fica assim? Para além de uma Estalagem abandonada, de uma obra em tijolo há anos junto ao parque infantil, teremos também uma Casa do Mateiro sem solução à vista? Afinal de contas, quem foi o irresponsável neste processo e como vamos resolver o problema? Perdemos o dinheiro, e pronto?
Entre o diz-que-diz e o jogo do empurra a culpa para mim ou para ti, há dinheiro que parece irremediavelmente perdido e uma casa na entrada do Parque de La Salette que ficará abandonada. À Câmara Municipal restará mover todos os esforços legais, políticos e “criativos” (diria eu) para que vejam a possibilidade de reversão desta situação, pois não posso crer que o anterior executivo tenha sido irresponsável ao ponto de deixar fugir este dinheiro.
Certo é que estaremos atentos a estes desenvolvimentos e acompanharemos o caso com todo o rigor e objectividade que merece. Não se trata apenas da recuperação de uma Casa, nem de meras razões estéticas à entrada do Parque.
Trata-se da perpetuação da identidade local, através de um Centro Interpretativo do Vidro, último reduto do berço de uma indústria que define o nosso concelho. No passado, deixámos que os seus vestígios fossem destruídos. Agora, a culpa é do empreiteiro!

