Um ano após as eleições há coisas, diz o nosso presidente. Na verdade, não sei se assim será… Continua a ser doloroso ver como o PS repete os erros dos seus antecessores ao decidir no imediato, sem planeamento, sem estratégia, sem qualquer noção de longo prazo, contribuindo para manter Oliveira de Azeméis como uma manta de retalhos, de desenrasque arbitrário e matando o mantra de melhor concelho para viver, trabalhar e investir!
Agora, em vez de uma Praça Maior, tal como prometido, vamos ter edifícios recuperados para albergar diferentes utilizações a dar aos mesmos: Casa Sequeiro Monterroso e os antigos edifícios das finanças, escola superior de enfermagem e centro de saúde (isto, naturalmente, se houver dinheiro!). Todo este complexo edificado servirá para um tal de Fórum Municipal, abandonando a ideia prometida da Praça Maior (pois, para se fazerem coisas, é preciso estudá-las primeiro e perceber que não se podem fazer promessas de construção em terrenos privados antes de se falar com os respectivos proprietários!).
Olhando numa perspectiva meramente economicista e de eficiência, não é uma má decisão utilizar edifícios públicos para serviços camarários. Porém, se mudar a lente e tentar perceber o que foi dito antes das eleições de acordo com o programa eleitoral, e ver o que se vai fazendo agora, ao sabor do primeiro bocejo matinal, possivelmente, ouviremos o senhor presidente a dizer outra coisa qualquer daqui a uns meses. É que parto de uma premissa básica: se eu sei o que quero para o meu concelho nos próximos anos, estabeleço um programa de acordo com a minha visão, depois, basta segui-lo e implementar aquilo que prometi, perspectivei e acreditei.
E mais, é imprescindível ter uma visão sistémica deste desígnio, caso contrário, são apenas coisas a acontecerem sem qualquer interligação com consequências premeditadas.
Joaquim Jorge, nesta conferência de imprensa a propósito de um ano de mandato, diz a seguinte pérola quanto ao actual edifício da Câmara, após a sua eventual não utilização: “Temos tantas necessidades ao nível de respostas culturais ou museológicas que facilmente se responde a essa questão. Podemos ter ali uma casa da presidência, um museu da identidade oliveirense”. O nosso jornal tem procurado perceber alguns rumos que este executivo procura estabelecer, mas a cada quinze dias, há sempre uma ou outra surpresa. Necessidades culturais e museológicas!? Porquê? Temos um Museu Regional parado no tempo. Uma galeria Tomás Costa sem utilização planeada e devidamente valorizada. Um Cine-teatro Caracas cuja rentabilização será um desafio, e muitos outros espaços em freguesias que devem adquirir uma nova dinâmica cívica, cultural e artística. Mas não, hoje parece soar bem falar de museus, amanhã, logo se vê...
E quanto à Indáqua de Hermínio Loureiro (a pior opção tomada pelo PSD), em Julho de 2015, Joaquim Jorge disse num artigo que “o PS pretende que os oliveirenses que não são servidos pelas redes públicas de água e saneamento, paguem exactamente o mesmo que os outros oliveirenses que actualmente já beneficiam destes serviços. É uma questão de equidade. Não é justo que existam oliveirenses de primeira e oliveirenses de segunda”. Nesta conferência de imprensa, o nosso presidente, esteve mais mansinho e disse ser um “assunto encerrado” este da concessão. Eu não entendo como é possível esta apatia face ao pior negócio que existiu no nosso concelho.
Vamos lá Joaquim, há que trabalhar para acabar com a Indáqua!

