Para criticar precisamos de dizer duas ou três coisas redondas e não explorar muito. Faz-nos sentir inteligentes. Somos todos capazes.
Quando é preciso analisar a coisa complica-se. É preciso estudar com profundidade, admitir o contraditório e estar disposto a mudar de opinião. Já é bastante mais difícil.
Aconteça o que acontecer, há gente que não quer nem vai mudar de opinião. A discussão faz-se com quem realmente gosta de pensar as coisas e, mais importante, com quem é intelectualmente honesto nos argumentos. Como disse Gandhi, “diferendos honestos são muitas vezes um sinal saudável de progresso”. São esses os diferendos, essas discussões, que se têm vindo a promover entre os oliveirenses, muito para lá de artigos de jornal, de editorais mais ou menos simpáticos, nos quais naturalmente me incluo porque também os escrevo. Num concelho que precisa urgentemente de recuperar o tempo perdido (em doze meses ficamos todos de acordo), discutiu-se mais nos últimos meses do que em vários anos. É fácil dizer o contrário, mas não é verdade. Basta pensar:
1. Discutimos nos últimos meses uma ideia central para Oliveira de Azeméis: o dinamismo do concelho depende de uma centralidade forte da cidade, que a geografia facilita, e que, com uma rede viária capaz, possa garantir uma mobilidade que gere dinamismo e que, por consequência, vá permitindo potenciar o desenvolvimento das freguesias. Repare-se que o nível de que partimos é muito baixo. A rede viária tem problemas profundos e de uma extensão enorme e os projectos para a cidade eram inexistentes. Oliveira de Azemeis é o concelho da Área Metropolitana do Porto com o menor investimento em PEDUR e PTDC. Zero projectos. O número é redondo e inquestionável.
2. Discutimos o tipo de centralidade que queremos na cidade e nessa discussão sempre fomos claros ao afirmar que um parque urbano de uso intensivo pode ser um elemento fundamental. Este parque, bem articulado com o Parque de La-Salette, através das ruas pedonais, pode potenciar um uso alargado e sustentado de toda a cidade e fazer a ligação com muitos dos equipamentos que hoje também se estão a discutir: fórum municipal, mercado, centro coordenador de transportes, apenas como exemplo.
3. Discutimos a tal rede viária que facilite a mobilidade para as freguesias e que torne a proposta de centralidade verdadeiramente galvanizadora. O reforço das transferências para a juntas é um exemplo claro e inequívoco e o plano de investimento na rede viária outro.
4. Discutimos as poupanças urgentes que se têm que fazer, para poder reforçar a médio prazo a capacidade de investimento do Município. Se isto é imediatismo!
São alguns exemplos no espaço disponível. Agora, há uma coisa que nunca dissemos, nem diremos: é que tudo isto não levará o seu tempo. E essa conversa de que não há planos e de que tudo já devia estar feito nestes doze meses, com todo o respeito e à falta de melhor, é conversa.

