Não é a primeira vez que afirmo que a nossa cidade necessita de um plano de desenvolvimento e urbanização.
Nos últimos tempos ouvimos os responsáveis pelos destinos desta terra falarem de uma praça maior que, pelos vistos não se concretizará, dos paços do concelho a construir no edifício da antiga mercantil e, simultaneamente, da recuperação de vários edifícios para albergar os serviços do município. Ouvimos falar da construção do mercado e da central de camionagem na zona do atual mercado e do salão nobre, parece que vamos ter o parque urbano/parque da cidade na quinta do Borges…
Adiada a praça maior pela dificuldade de “fazer filhos em mulheres alheias”, fala-se em albergar os serviços públicos municipais em edifícios a recuperar para o efeito tais como, o antigo posto médico e o antigo edifício das finanças. É certo que acabar com o pagamento das rendas medonhas que vêm sendo suportadas para albergar os serviços do município é um ato de elementar higiene financeira; todavia, ou vamos construir um edifício dos paços do concelho ou ficamos com o que temos e continuamos com os serviços espalhados. Vamos ou não vamos construir um edifício para os paços do concelho? Se vamos, ele vai ou não albergar tais serviços?
A câmara municipal adquiriu a quinta do Borges para a construção do parque urbano da cidade, com base em que plano? Ou antes, comprou porque, pura e simplesmente, o(s) proprietário(s) queria(m) vendê-la?
Com a área que tem, parece manifestamente pouco para o efeito e por isso, o município, por certo, tem em mente mais terrenos a adquirir, mas os oliveirenses desconhecem.
O cine teatro Caracas que agora já é chamado de casa da cultura, há-de ser requalificado, qualquer dia, e já foi dito que não será este o único espaço de cultura, e que esta morará lado a lado, também do outro lado da Avenida.
Falando em cultura, era importante perceber o que é o que o município pensa para a casa museu de Oliveira de Azeméis.
Novidade é o mercado e a central de camionagem na zona do atual mercado. Estamos a falar da Zona histórica da cidade, do miolo central da velha vila que fomos. Este anúncio faz-nos imaginar que estará definitivamente resolvido o imbróglio jurídico do velho Arcádia, será?
- Ainda que esteja resolvida esta velha questão, encravar ali o mercado e a central de camionagem é condenar o centro da cidade e adiar a resolução do espaço para o mercado municipal, além de manter no mesmo estado aquele que é conhecido como o espaço da rodoviária, deslocando-o apenas uns metros para norte.
Desde logo, convém que previamente decidamos:
- É equipamento que queremos na zona histórica do centro da cidade?
- Queremos resolver o problema do mercado para as próximas décadas ou queremos fazer um “remendo” como o que foi feito na década de noventa pelo executivo então em exercício?
- Queremos autocarros a manobrar no centro da cidade e a entupir a fluidez de tráfego com as suas chegadas e partidas tal como temos agora ou queremos criar um espaço de fluidez para os próprios e sem especial impacto no tráfego da cidade?
Achei que um ano de mandato pudesse ser comemorado com a apresentação, por exemplo, de um plano estratégico para a cidade, mas lamentavelmente não!
Planear e programar a cidade é para quando?

