Os Emiratos estão cheios de bandeiras e bandeirinhas do país em tudo quanto é sítio, além de fotografias da família real e dos ministros do governo. É assim no Dubai, em Abu Dhabi, Sharjah e nas mais pequenas vilas e aldeias.
Apesar de 80% da população ser expatriada, não têm lugar nem opinião na política. E há dinheiro a rodos. Entre os locais, há ainda mais dinheiro para pessoas que não fazem nenhum e, por isso, ninguém questiona o porquê das bandeiras e das fotos dos líderes.
Numa viagem recente a Teerão descobri idêntica realidade de bandeiras e fotos dos amados líderes. A diferença é que aqui já não há dinheiro e as pessoas questionam o porquê das coisas.
Em Teerão falei com taxistas e empregados de balcão, do hotel e das lojas no bazar, a guia e a minha vizinha na viagem de regresso no avião, seriam umas 15 a 20 pessoas. Num país com 90 milhões, não é nada. Contudo, só um não me falou mal do governo ou dos imãs.
O que não me disse mal do governo referiu que eles se preocupavam com todos e eram patriotas porque haviam as bandeiras, as fotos e os discursos a referir que o Irão é melhor que os outros (vulgo EUA e seus aliados).
Ou seja, propaganda pura.
Será que as pessoas vão nisso? Será que basta dizer que se faz o melhor, mesmo que não haja acção a acompanhar a palavra, para que todos acreditem nisso?!
Lembrei-me de George W.Bush e a bandeirinha dos Estados Unidos na lapela, depois do 11 de Setembro, proclamando a guerra no Iraque.
Ou os nossos PAF, também com a bandeirinha na lapela, afirmando que faziam o melhor por Portugal e os portugueses, esquecendo-se do brutal aumento de impostos e a redução de serviços do Estado. Mas tinham a bandeirinha.
E continuam por aqui, a começar em Centeno e neste Orçamento de Estado tão ao estilo do Eurogrupo e das ideias de Bruxelas, continuando nos histéricos do CDS que pensam que fazer oposição é gritar contra tudo e todos, sem apresentar uma medida de fundo para o país; e continuando pelos restos de Passos no PSD, que tudo fazem para que Rio não chegue às eleições.
Juntemos a esta massa crítica os reaccionários do Obervador e outros jornalistas e agentes com uma agenda própria, que por estes dias se vangloriam pela vitória de Bolsonaro no Brasil, da mesma forma que o fizeram quando Trump ganhou na América; repetindo à boca cheia ou pequena as boçalidades dos seus novos ídolos.
O que os une aos grandes líderes das bandeiras hasteadas 24 horas por dia, e com dimensões visíveis do espaço?! A forma como impõem o seu discurso patriota, como falam em nome de todos, como decidem usando o nome do país ou do partido mas cuja única preocupação são os seus interesses pessoais, e seu salário e o da comitiva; poderem voltar a ter o seu poderzinho de decisão em alguma lista a uma qualquer junta de freguesia; ter o poder de decidir pelo amiguismo em vez de usarem a bitola do mérito.
Porque as pessoas com mérito percebem à légua o que as bandeiras querem dizer; e afastam-se.

