Sem mordaças, a opinião e os maus exemplos

Mas há coisas que as redes sociais não ajudam aquando da partilha da opinião dos nossos cronistas ou do nosso editorial. Ao invés da análise se situar no plano do conteúdo e do argumento, parte quase sempre para as narrativas em torno de confabulações sobre a pessoa e o seu carácter, impossibilitando a livre e saudável troca de ideias…

1. Parece que o PSD se libertou da armadilha em que se deixou cair no último ano e passou “ao ataque”. A armadilha era a narrativa do “40 anos de poder sem fazer nada não dá direito a falar”. A oposição é motor de bom desempenho de um executivo camarário e, como tal, não pode adormecer.

Ricardo Tavares foi quem deu a cara para tecer duras críticas à equipa de Joaquim Jorge sobre decisões que julga não serem as melhores e a ausência de estratégia que parece existir. Concordando-se ou não com os argumentos de Ricardo Tavares, Oliveira de Azeméis também precisa de uma oposição forte, dinâmica e vigilante, não podendo cair nas tais armadilhas de que frequentemente é alvo, caso contrário, teríamos uma oposição silenciosa e só Oliveira de Azeméis sairia a perder.

Não podem existir constrangimentos, nem mordaças e o PSD, tal como os outros partidos e sociedade civil, são fundamentais para uma democracia saudável e que “motive” quem tem o poder a não adormecer.

2. Escrever em jornais regionais tem destas coisas. A proximidade cria constrangimentos que podem comprometer relações interpessoais e intragrupais pelo simples facto de opiniões ou linhas editoriais não seguirem a bitola daqueles por quem passamos na rua ou nos cruzamos em inúmeras circunstâncias sociais.

Na verdade, quase ninguém gosta de ser criticado, provocado ou inquietado, pois invariavelmente interpreta a opinião crítica alheia como ataque pessoal, interesses latentes ou ressabiamentos passados. Editorialmente, este jornal assume uma posição clara e inequívoca: sermos vigilantes, críticos e sempre na incessante procura da verdade, com responsabilidade nas escolhas que fazemos pelo aprofundamento desta ou daquela notícia.

Isto não significa que não exista contraditório ou que as nossas escolhas não sejam alvo de escrutínio, análise e discórdia. Antes pelo contrário, deverão ser sempre objecto de análise e abraçamos a crítica com muito gosto.

Mas há coisas que as redes sociais não ajudam aquando da partilha da opinião dos nossos cronistas ou do nosso editorial. Ao invés da análise se situar no plano do conteúdo e do argumento, parte quase sempre para as narrativas em torno de confabulações sobre a pessoa e o seu carácter, impossibilitando a livre e saudável troca de ideias…

Nestes dias em que as “fake news” e a premeditada manipulação da informação procuram influenciar a opinião pública através das redes sociais, o desafio também existe nas pequenas comunidades como é a nossa e a imprensa regional nunca foi tão necessária. É que nós temos responsabilidade editorial, procuramos validar factos, trabalhamos a informação e sabem onde nos encontrar.

3. Os políticos estão a dar um péssimo exemplo às crianças e jovens. Uma ferramenta de fomento à participação cívica dos alunos de várias escolas possibilitou que pudessem apresentar ideias de melhoria até 5 mil euros para o seu estabelecimento escolar, numa espécie de concurso e integrado no orçamento participativo.
Ora, o prazo para execução dos projectos vencedores terminou em 31 de Maio. Nos Políticos de Palmo e Meio, por exemplo, é ver os nossos políticos a enaltecerem os miúdos e a falarem da importância da sua participação, e por aí fora….

Falta dar o exemplo e cumprirem com o que prometeram. Esta postura é tão má que nem necessita de mais explicações.

0
0
0
s2smodern