Numa altura em que tanto se fala de mobilidade e das novas apostas de transporte sustentável, por cá, também deve ser um tema que tem que estar na agenda política do concelho.
Em agosto de 2016 o executivo municipal então em funções deu o pontapé de saída na “descarbonização” da cidade que ficou marcado pela construção da ciclovia que liga a Zona das escolas à zona desportiva do pavilhão e piscinas municipais e pela bicicleta partilhada - a BICLAZ.
A prometida “descarbonização” previa a construção de 17Km de ciclovia até 2020 e a extensão, quer da ciclovia, quer das BICLAZ ás freguesias do concelho com maior densidade populacional.
Mais de dois anos depois, os metros de ciclovia não aumentaram, as BICLAZ, que são vinte não se têm visto…
A questão da chamada mobilidade suave tem que nos levar muito mais longe. Em Oliveira de Azeméis, cidade e concelho, temos graves problemas por resolver que começam pela enorme falta de passeios para peões, isto para não dizer que os que temos são de uma enorme falta de conforto para o fim a que se destinam – andar a pé. Não é possível estimular a redução do uso do automóvel sem ter condições mínimas essenciais para que as pessoas possam andar a pé, sem que isso seja uma atividade de alto risco.
Temos o nosso parque da La-Salete que seria um dos lugares por excelência para que, quer os locais quer os visitantes, se deslocassem para lá a pé ou de bicicleta, BICLAZ ou individual. Mas fazê-lo, quer de bicicleta quer a pé, é uma aventura que tem um enorme potencial para correr mal. O percurso existente do centro da cidade até lá tem uma grande parte do seu percurso sem nenhum tipo de passeio por onde se possa circular a pé e, quanto a tentar fazê-lo de bicicleta, além do grande volume de tráfego de entrada e saída da cidade de e para o Nordeste, não tem nem ciclovia nem sequer uma faixa mínima de proteção.
Outro exemplo é o do Parque molinológico em Ul que seria um dos destinos aprazíveis para deslocação quer a pé quer de bicicleta; pois também aqui aqueles problemas se repetem.
É forçoso pensar de forma integrada a mobilidade suave da nossa cidade e do nosso concelho. São necessários passeios, são necessárias ciclovias, é necessário fazer o balanço de dois anos de BICLAZ para que se conheça qual a utilização que teve durante estes mais de dois anos, porque a noção geral que os oliveirenses têm é que o uso foi reduzido.
Afinal a BICLAZ custou, pelo que foi tornado público ao tempo, 70 mil euros. Será que faz sentido o pagamento definido pela sua utilização (50 cêntimos por cada 15 minutos)? Será que o tempo máximo de utilização permitida é razoável (tempo máximo 2 horas)? Se alguém quiser arriscar ir e vir do centro da cidade até à La-Salete de BICLAZ e usufruir de algum tempo de estadia no parque tem que cronometrar o tempo! Mas se, estes aventureiros forem uma família com 4 elementos pelas 2 horas pagarão 16€ … optarão por ir de táxi que lhes fica mais barato!
Preocupações de mobilidade não podem resumir-se àquilo que foi feito até aqui. Fazer uns metros de ciclovia, lançar a BICLAZ, e comemorar a semana europeia da mobilidade dá para fazer uns títulos de jornal, mas faz pouco pela mobilidade.
Conhecem aquela música cujo titulo e refrão é: Move it, move it?

