Ponto negro

Nos aglomerados de pequena dimensão, como o nosso, os principais serviços devem-se localizar no centro da cidade potenciando a sua capacidade de atração.

É notório o constrangimento estrutural da rede viária do concelho. Formada por ruas estreitas, de traçado incoerente e sem passeios para circulação de peões é reflexo de um crescimento desordenado, consentindo e sustentado pelo poder político. A teia rodoviária existente é, pois, caótica, com consequências nefastas na fluidez do trânsito, segurança de peões, atratividade do município e até castradora do potencial de desenvolvimento de toda a comunidade. É prejudicada a população mas também os industriais e comerciantes. A lacuna, grave, é transversal a todas as freguesias e decorre de um deficiente planeamento do território. Sendo, hoje, impossível resolver, como que por magia, um problema endémico, sempre se dirá que há municípios com dificuldades semelhantes que, pelo menos, o mitigaram.

Ao longo das últimas décadas a rede viária de Oliveira de Azeméis tornou-se um intrincado tal de ruas e ruelas que os “pontos negros” se foram multiplicando a um ritmo inaceitável. Sendo impossível enuncia-los todos, focar-me-ei apenas no da rua Padre Joaquim Ferreira Salgueiro, correspondente ao arruamento entre o pavilhão da “Escola Livre” e as traseiras da Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis. Como tantos outros na cidade, é estreito e parte da via defronte a antiga “escola preparatória” está destituída de passeio para circulação de peões. Não sendo motivo de admiração na nossa cidade, onde a existência de passeios ainda é coisa invulgar, torna-se difícil compreender a não implementação de uma solução que diminua o risco dos transeuntes que ali circulam diariamente.

Naquele pequeno troço de rua convivem lado a lado, alunos da Universidade Sénior e crianças que frequentam a catequese, com a circulação de centenas de viaturas, algumas pesadas de passageiros, com particular incidência nos finais de tarde e sábados de manhã. Todos convivem na proximidade do risco, com a maior das naturalidades. Onde há passeios, estes, de tão estreitos que são, fazem o mais elegante parecer o mais obeso dos peões. Onde não os há, os transeuntes esgueiram-se entre as viaturas e a conduta de águas pluviais, com a agilidade adquirida ao longo de anos de convívio com aquela realidade… até que um dia uma fatalidade ocorra. Caros leitores, merecem mais respeito os seniores, as crianças e todos os oliveirenses que ali circulam. Fácil é o pregão de não haver solução. E mesmo esse não se tem ouvido, porque todos saltitam alegremente naquele troço sem a consciência de que o que não está bem e não serve, deve ser objeto de repúdio e reclamação. Ou estarão os oliveirenses tão anestesiados pela inação de quem ao longo dos anos (não) tem decidido, que se resignaram a viver num concelho sem alternativas ou soluções para os problemas? Francamente, eu não me resigno.

Nos aglomerados de pequena dimensão, como o nosso, os principais serviços devem-se localizar no centro da cidade potenciando a sua capacidade de atração pelo que, seguindo a mesma lógica, a Universidade Sénior e o patronato devem manter a sua atual localização. A deslocalização de um número considerável de serviços do centro para a periferia já nos trouxe prejuízos bastantes. A solução passará, então, pela procura de uma alternativa à acessibilidade àquele local. A construção de um novo arruamento, há muito previsto, é uma solução dispendiosa, mas não podemos permitir que a sorte decida que nada de grave ali ocorre. A sorte conquista-se e não podemos depender da Graça Divina para que não ocorra um sinistro com responsabilidades diretas para quem não resolveu aquele imbróglio nos últimos anos.

As omissões e erros cometidos ao nível do planeamento do território legaram-nos problemas que vão perdurar gerações, mas é dever do município mudar de rumo, atenuar os pontos mais críticos e implementar medidas que permitam a todos fruir o espaço público com segurança. Não se pede milagres, mas os oliveirenses exigem um incremento de medidas de segurança rodoviária, tal como empreendidas em municípios com reduzido grau de ordenamento, como o nosso. É difícil? Claro, torna-se progressivamente menos fácil com o decurso do tempo. É impossível? Não. Então, de que estamos à espera?

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