Acasos criativos

Continuo a não saber que estratégia existe para o nosso concelho, dado que esta escolha parece não obedecer a nenhuma lógica objectiva e com perspectiva de longo prazo.

Vamos ter um Parque Urbano por três motivos, segundo argumenta o nosso presidente da Câmara: os concelhos vizinhos também têm um; os oliveirenses costumam usá-los, portanto, temos que manter os nossos conterrâneos em Oliveira de Azeméis; e, por fim, este projecto faz parte das promessas eleitorais do PS. A Quinta dos Borges custa 1,25 milhões de euros e vai ser requalificada daqui a dois ou três anos, prevendo-se gastar um total de 3,5 milhões (já incluído o valor de compra).

Ainda não se sabe muito bem como vai ser feito, nem o que irá ter, esperando-se a contribuição de ideias por parte dos oliveirenses para este projecto, mas vamos ter um Parque Urbano. Joaquim Jorge também espera que este espaço traga novas centralidades – sem saber muito bem ainda como – mas com certeza que existe alguma fé na imprevisibilidade. “Equipamento estruturante e essencial para reforçar a atractividade do concelho”, diz o presidente, cumprindo assim uma bandeira eleitoral no programa apresentado, esperando que o mesmo cumpra o seu propósito, isto é, transformar Oliveira de Azeméis no melhor concelho para viver, investir e trabalhar.

Não obstante os reparos que qualquer projecto possa merecer, estou convicto que é uma boa iniciativa para a cidade, apenas e tão só porque equipamentos com estas características acrescentam valor e trazem qualidade de vida às pessoas. Mas não posso deixar de realçar que continuo a não saber que estratégia existe para o nosso concelho, dado que esta escolha parece não obedecer a nenhuma lógica objectiva e com perspectiva de longo prazo. Pura fé nas consequências deste projecto isolado, as quais espero serem mais que benéficas, já que Joaquim Jorge parece ter uma crença inabalável na serendipidade, conceito interessante que nos possibilita descobrir coisas por acaso não deixando a criatividade de actuar como aliada.

Por falar em acasos e descobertas, o CDS fez rasgados elogios ao Orçamento e Plano Plurianual de Investimentos para 2019, aprovado por maioria em Assembleia Municipal, votando favoravelmente o mesmo. Este partido, cuja importância em Oliveira de Azeméis já teve o seu auge, continua a andar pelos pingos da chuva, nunca se percebendo bem qual a sua posição no panorama político concelhio, confiando, porventura, na criatividade oculta que decisões pouco coerentes possam trazer.

O orçamento não traz grandes surpresas, embora esperasse uma maior posição crítica por parte do CDS e uma afirmação política diferenciadora deste partido que tanta falta faz ao concelho. O membro centrista da Assembleia Municipal, Jorge Melo Pereira, pode ser mais crítico e fazer crescer o partido, e não esperar só algumas benesses que poderão dar jeito às únicas presidentes de Junta do CDS eleitas. Aliás, na sua intervenção sobre o orçamento, no meio dos elogios ao documento, Jorge Melo Pereira disse algo que é importantíssimo e que já me canso de repetir nos editoriais, “a cidade precisa e merece visão estratégica, mas neste campo ainda pouco conhecemos”, mas pronto, fora mais uns ou outros reparos de circunstância, foi só isto. Portanto, adivinhando que o CDS irá ser “parceiro” dos socialistas neste mandato, pode ser que o acaso também traga surpresas… Mas neste registo pouco oposicionista, restará apenas um CDS nostálgico.

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