Neste Natal, na tua casa, há lugar para quem e para quê?

Se para encontrar Jesus é difícil, porque temos que caminhar até Belém à manjedoura – lugar simples e pobre e despirmo-nos de nós mesmos, para perder Jesus basta apenas a distração. Pois quando deixamos que o nosso eu entra e governe a nossa casa, perdemos o Jesus da manjedoura. 

1 - Envolvida por tantos afazeres de uma sociedade consumista a pergunta que se impõe a cada um de nós (crentes cristãos) é: no Natal, na tua casa, há lugar para quem e para quê? O quadro histórico do acontecimento do Natal é belíssimo. E é tão real e tão presente que neste período todos os “homens”, toda a “humanidade” respira um ambiente de ternura e de solidariedade. O nascimento do Jesus é tão denso e tão simples que ao mesmo tempo provoca alegria e exaltação, mas também o respirar do ódio presente nos poderosos do seu tempo (que é também o nosso).

2 - É neste quadro, belíssimo, mas também arriscado, em que Maria e José percorrem os caminhos até Belém para se recensearem em que tudo acontece. E quando ali em Belém se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e por não haver lugar na hospedaria envolveu em panos e recostou numa manjedoura (Lc 2,6-7).

3 - Por não haver lugar para eles na hospedaria recostou numa manjedoura. Expressão fria e desolada que nos confronta que a pergunta inicial: Quem tem e o que tem lugar na tua casa, no teu pensamento, no teu coração? Que pessoas têm lugar no aconchego do teu ser? Que propósitos fazes para que esses que não têm lugar na tua hospedaria possam gozar da alegria da tua casa? Que a tua, a nossa casa, neste Natal, se torne na manjedoura de Belém, simples, mas aconchegada pelo calor do amor de Jesus. Não fique ninguém fora deste aconchego, hoje e sempre. O Natal não é apenas um período mais ou menos belo, mais ou menos sensível e solidário. O Natal pressupõe nascer sempre; pressupõe um nascimento novo todos os dias; e em todos os momentos. O cristão, aquele que acredita em Cristo, é a imagem desta natividade, nova, que em cada momento acontece.

4 - Não fiques do lado de fora e não deixes ninguém de fora. Aproxima-te da manjedoura é lá, que em sentido figurado, encontras o alimento espiritual. É lá na manjedoura que, simbolicamente, encontras a porta para abrir a porta para Jesus entrar. Deixar Jesus entrar é um desafio é imenso e intenso. E quando Ele entra vemos (em nós) que os índices da ganância são mais elevados, a exploração do outro, da natureza e dos seus recursos, dos pobres, as relações de amizade e de interesses individuais são cada vez mais acentuados na casa comum da nossa humanidade. No meio deste lixo, que todos os dias vamos produzindo, só há um caminho possível de retorno. É retornar à fonte original da vida e encontrar Jesus – depois de o encontrar não O deixes perder. Se para encontrar Jesus é difícil, porque temos que caminhar até Belém à manjedoura – lugar simples e pobre e despirmo-nos de nós mesmos, para perder Jesus basta apenas a distração. Pois quando deixamos que o nosso eu entra e governe a nossa casa, perdemos o Jesus da manjedoura. E tudo volta a ser como era na nossa vida: apenas uma vida de consumo e uma vida consumida pelos afazeres de uma sociedade que produz para consumir e consome para produzir. Neste Natal, na tua casa (no teu coração), há lugar para quem e para quê?

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