Meu querido Pai Natal:

Aproveito esta quadra do ano para te dirigir alguns pedidos que, mais não são que anseios meus e, estou certa, de muitos outros; portanto, espero que eles sejam atendidos porque não são pedidos egoístas

É a Primeira vez que estou a escrever-te uma carta. Nos meus verdes anos, quando seria a idade para o fazer, não eras tu a entidade a quem dirigíamos os nossos pedidos e desejos. Ao tempo, dirigíamo-nos todos ao menino Jesus e, não o fazíamos por escrito, fazíamo-lo através da oração.

Mas temos que nos adaptar à realidade dos nossos dias e, por isso, aproveito esta quadra do ano para te dirigir alguns pedidos que, mais não são que anseios meus e, estou certa, de muitos outros; portanto, espero que eles sejam atendidos porque não são pedidos egoístas:

- Trinta e quatro anos depois gostava que Oliveira de Azeméis fosse, efetivamente, uma cidade. Uma daquelas que tem um centro histórico recuperado (como tantas outras!). Uma zona habitacional planeada e definida e, sobretudo, com um ordenamento territorial que não comprometa, já hoje, o desenvolvimento daquilo que temos. Creio que percebes, e aliás conhecerás muitas assim, uma cidade com espaço para as pessoas e mobilidade para elas, com comércio bastante para que os oliveirenses não tenham que ir gastar a riqueza produzida cá para cidades vizinhas. Uma cidade com serviços de qualidade e em relação aos quais (comércio e serviços) sejam os responsáveis que mais de perto nos governam a passar a mensagem de que o que é oliveirense é bom.

- Um concelho que não gire a várias velocidades, no qual se possam aproveitar as diferenças de cada uma das suas freguesias para criar um concelho dinâmico, de ofertas e paisagem diversificada, sem nos queixarmos da orografia complicada de Palmaz ou da distância de Vilarinho de S. Luís à sede do concelho. Afinal temos freguesias com potenciais típicos daquilo que terá que ser a vocação primordial de Oliveira de Azeméis – Indústria - de que é exemplo Loureiro e o seu parque empresarial no qual continuamos sem criar as condições para que ele funcione verdadeiramente, desde logo, porque falta a criação de verdadeiros acessos de e a um parque empresarial; além de que, continuámos sem captar novo investimento reprodutivo para aquela que é, no concelho de Oliveira de Azeméis, a zona ou parque industrial mais próximo da Europa.

- E porque nem só de pão vive o homem, Oliveira de Azeméis também é cultura e tem múltiplos e talentosos agentes culturais, desde o folclore à música, onde se destacam pela sua enorme qualidade as bandas filarmónicas do nosso concelho, passando pelo teatro, pela chamada dança moderna e contemporânea, pelo canto individual e em grupo, pela escrita, pela poesia…, mas continuamos, mais de uma década depois do inicio do século XXI, sem ter uma casa de espetáculos digna desse nome, sendo certo como é, que com a qualidade e capacidade do nosso Caracas, na região, fomos os primeiros a ter. Os outros que não tinham passaram a ter, os que já tinham reconstruiram (sem negar a sua história), adaptaram, melhoraram e nós? Nós esquecemo-nos de mudar o calendário há já mais de duas décadas atrás… e, não se vislumbra quando é que ele será mudado!

- E, porque nada disto nos serve de nada se não garantirmos o futuro desta terra, é forçoso criarmos condições que sejam capazes de criar a saudade prospetiva e não apenas a nostálgica nos filhos oliveirenses que saem de cá para ir estudar, levando com eles a vontade de regressar cá e de mudar o mundo, como só eles vão saber… E se os filhos oliveirenses têm qualidade!

Ainda, no dia 17 deste mês, fui assistir ao sarau de Natal realizado, conjuntamente, pelas duas associações de estudantes dos dois maiores agrupamentos de escolas da cidade – Soares Basto e Ferreira de Castro – foi fantástico perceber que aqueles nossos filhos montaram um espetáculo fantástico, diversificado, bem ritmado nas cenas, com boa qualidade de som e luz… e foram eles, só eles.

Sem aquelas coisas bafientas de que “a minha escola é melhor que a tua”. Foram grandes e muito bons.

Termino, meu querido Pai Natal. Se não for pela minha geração, concede-me estes desejos pela geração dos últimos que citei.

Obrigada e um bom Natal para todos!

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