Era uma vez...

 O espaço não é o ideal, não é não senhor! Não o é hoje como não o era na altura, como o dissemos e ainda afirmamos. 

A política é a capacidade de antecipar o futuro, a história é a capacidade de encontrar o passado. A gestão é a possibilidade de conciliar as condições que herdamos do passado com o futuro que antecipamos. A recente aquisição dos estaleiros municipais é um dos melhores exemplos. É essa a história que hoje recordo.

1. Em 2004 a Câmara Municipal vendeu os Estaleiros Municipais de que era proprietária, por um valor aproximado de 1 milhão de euros.

2. No mesmo dia em que vendeu os estaleiros, a Câmara Municipal tornou-se arrendatária dos mesmos estaleiros, por um valor redondo de 9 mil euros por mês.

3. A autarquia utilizou esses mesmos estaleiros, que eram seus e que vendeu por 1 milhão de euros, durante nove anos, até 2013. Nesses nove anos, pagou cerca de um milhão de euros de renda.

4. Em 2013, nove anos depois, a autarquia não tinha nem o milhão de euros que recebeu nem os estaleiros municipais. Nada. Nem propriedade nem o dinheiro da venda. Tudo se perdeu em rendas.

5. Perdido o dinheiro e perdidos os estaleiros, a autarquia encontrou em 2013 um novo espaço, junto a uma zona residencial. O então Presidente da Câmara informou que a autarquia iria pagar uma renda de 2 mil euros por mês. Informou também que o espaço necessitaria de obras que não chegavam aos 5 mil euros.

6. A Câmara Municipal passaria ainda aquele espaço e aquele pavilhão para espaço industrial, alterando a sua tipologia junto de uma zona residencial e valorizando automaticamente aquela propriedade de que era apenas arrendatária.

7. Em 2014 a autarquia procedeu à substituição da cobertura desses estaleiros arrendados, num valor de cerca de 41 mil euros, um ano depois de ter afirmado que as obras necessárias não chegariam aos 5 mil euros.
8. Decorridos cinco anos, desde 2013 até 2018, a autarquia gastou em obras de beneficiação dos estaleiros de que era apenas arrendatária, cerca de 193 mil euros.

9. Esse valor de obras, dividido por todos os meses destes cinco anos, significou uma renda real de mais de 5 mil euros por mês.

10. Acontece que, ao final de três anos e não tendo activado a opção de compra, a renda passou para 3 mil e 500 euros.

11. Em 2019, não se alterando o que estava previsto e continuando como arrendatária, o valor da renda passaria para 6 mil euros por mês.

Este é o balanço de um negócio ruinoso desde 2004. O espaço não é o ideal, não é não senhor! Não o é hoje como não o era na altura, como o dissemos e ainda afirmamos. Mas hoje somos confrontados com um espaço onde gastámos quase 200 mil euros em obras. Em 14 anos, perdemos a propriedade dos estaleiros e o seu valor. Em 5 anos já gastámos, entre obras e rendas, quase 350 mil euros. Comprar os estaleiros, mesmo naquele sítio que não é bom, é a única medida racional neste momento. Que mais dizer a não ser lamentar?

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