Por essa estrada #20

O Aliança tem nome de vinho, continua na senda de partido unipessoal, criado por causa de uma birra, que ninguém sabe quanto vale ou se vai chegar às eleições.

Luís Montenegro e o grupo que se acantona nas suas ideias não está preocupado com o país nem com o PSD. Estão preocupados com as listas para o ciclo de eleições que se aproxima, os deputados em lugar elegível e os cargos por nomeação que se lhes segue.

É a conspurcação da nobre política por parte de quem pensa o exercício de cargos públicos como forma de retirar dividendos pessoais.

É triste; mas engane-se quem pensa que isto é um problema exclusivo do PSD. É a decadência moral, ética e política e o PS e o CDS também são frequentemente expostos a estas situações. São centenas as pessoas que vivem à sombra dos Partidos Políticos e precisam constantemente de estarem no sítio certo à hora certa para receberem um salário.

Mas Rui Rio teima em alterar os relógios a essas pessoas e há todo um conjunto de interesses, que vai das bancadas da Assembleia da República às redações dos jornais, passando por gabinetes de advogados e associações, que se movem para destituir quem foi democraticamente eleito há apenas um ano.

Montenegro foi inapropriado e ridículo na sua declaração, em pose de estadista, ao apresentar meia dúzia de medidas para o país, tentando, com isso, dar legitimidade ao seu acto junto dos potenciais eleitores e fazendo-os esquecer a traição que comete. Inoportuno porque o partido prepara já as eleições e necessita de estabilidade.
Ao desafio, Rui Rio esteve bem, seguindo os trâmites normais e remetendo para o Conselho Nacional uma moção de confiança ao seu exercício.

Rui Rio tem uma missão de recentrar o PSD, devolvendo-o à sua matriz social-democrata.

A direita portuguesa – não são as pessoas dos partidos que se consideram de direita; é um conjunto de gente, que raramente dá a cara, que tem uma mentalidade típica de direita liberal – aproximou-se de Sócrates e negociaram tudo o que havia para negociar; mas ideologicamente Sócrates nunca jantou com eles. Nos anos da troika e, sobretudo, nas legislativas de 2015 com o PAF, essa mesma direita conseguiu, pela primeira vez desde o 25 de Abril, controlar um grande partido que lhes possibilitasse estar na governação. Perderam e amuaram porque nunca leram a constituição.

Por isso, este desafio a Rui Rio, por parte de boys ou por parte de alguém que representa uma ideologia diferente daquela que está escrita e que expressa a vontade política de Sá Carneiro, Balsemão e Mota Pinto, antes da constituição das listas, era mais do que esperada. Prova disso mesmo é todo o ruído que se ouve na comunicação social e que ofusca as ideias do líder.

A grande questão é: por que é que eles não vão para o CDS ou para o Aliança?
Porque o CDS não descola dos 7%, desde Paulo Portas é um partido unipessoal e o resultado de Assunção Cristas em Lisboa só foi possível devido à inabilidade política de Passos Coelho.

O Aliança tem nome de vinho, continua na senda de partido unipessoal, criado por causa de uma birra, que ninguém sabe quanto vale ou se vai chegar às eleições.

Porque quem sair do PSD para um desses partidos fica com o carimbo de traidor estampado na testa; e é preciso ser-se muito inteligente para explicar que um partido político não é um amor de mãe e que a mudança ideológica de um indivíduo ao longo da sua vida é um acto normal do seu próprio crescimento.

Esta semana não foi má para o PSD: foi péssima para a percepção que as pessoas têm da política e é a democracia que fica a perder, em prol de movimentos totalitários.

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