O Novo Ano

As questões de politica europeia têm merecido pouca atenção, em geral do nosso país, mas está aí o tempo próprio para que esta discussão se faça, de forma séria e que os portugueses participem nela, porque do futuro da união depende o nosso futuro coletivo.

Entrámos há dias no ano 2019. É tempo de começar por desejar um bom ano a todos os que “passam” habitualmente por cá e leem estes artigos e a todos os outros que o não fazem - que seja um excelente ano!

É habitual que um novo ano nos traga novos desafios, mas este ano em particular traz muitos e grandes desafios à sociedade portuguesa.
Desde logo porque é um ano em que há dois atos eleitorais de extrema importância, que são as eleições europeias em maio e as eleições legislativas em outubro. Normalmente as primeiras, costumam ser as que menos mobilizam os cidadãos portugueses e as segundas, ciclo eleitoral após ciclo eleitoral, também têm demonstrado ser cada vez menos mobilizadoras; todavia, esta é uma tendência que convém inverter, quer num quer no outro dos casos.

As sucessivas crises económicas, financeiras e monetárias que, na última década, se foram sucedendo em vários países da união e que demandaram a intervenção do Banco Central Europeu, apesar daquilo que os povos das nações sofreram, revelaram para com os Estados em geral, mormente para com os estados intervencionados, alguma “complacência” por forma a que os ditos estados achem que não são necessárias reformas estruturais para evitar que, dentro de quatro ou cinco anos, alguns estejam de novo mergulhados no mesmo mar de crise do qual ainda só têm a cabeça e o tronco de fora. 

As eleições ocorridas há uns meses na Itália ainda não permitiram antever se dai pode resultar um relacionamento diferente desta que é uma das maiores economias da união, quer com esta quer com os estados membros, e também ainda não existiram mudanças visíveis para a diminuição do seu endividamento económico, nem a resolução da toxicidade de que padece o sistema bancário italiano.

Por outro lado, aquele que tem sido o jogo do “eixo franco alemão” hoje é mais ou menos uma incógnita porque, por um lado as coligações celebradas depois das eleições alemãs, deixam-nos, pelo menos para já, a dúvida sobre a manutenção ou não do papel da Srª Merkel na liderança que tem vindo a exercer; por outro lado, a França que, apesar de ser um tigre de papel, tem tido uma capacidade de influência que, com as sucessivas quedas de popularidade do Sr. Macron, dificilmente se manterá.

Isto, entre tantos outros aspetos que a fórmula deste artigo não comporta, a que acresce o Brexit e as negociações para a outorga do acordo de saída do Reino Unido que tenho dúvidas em distinguir se estão cada vez mais na mesma ou cada vez pior; tudo conjugado põe em causa o próprio projeto europeu da união.

As questões de politica europeia têm merecido pouca atenção, em geral do nosso país, mas está aí o tempo próprio para que esta discussão se faça, de forma séria e que os portugueses participem nela, porque do futuro da união depende o nosso futuro coletivo.

Depois disso haverá eleições legislativas e nelas se escolhe a composição do parlamento e, consequencialmente, o governo da nação. É inevitável falar dos crescentes números da abstenção que têm vindo, sempre, a aumentar desde a realização das primeiras eleições para a Constituinte.

O povo está, cada vez mais descrente nos políticos portugueses, por muitos e variados motivos que se podem resumir na total incapacidade que têm revelado de matar os “monstros” que pairam, quer sobre as suas cabeças, quer sobre as cabeças dos portugueses:

- Os problemas da corrupção (da que existe e da que nunca existiu), da falta de qualidade, cada vez maior, das elites que nos governam e decidem neste país, da irresponsabilidade dos políticos que deixam, quase sempre, a culpa morrer solteira, da pobreza castrante da maioria dos portugueses, do crescimento económico, quase só, à custa dos baixos salários, da degradação crescente do serviço nacional de saúde…

ste é o ano que temos pela frente.

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