Por essa estrada #21

O que se passou no Bairro da Jamaica não foi racismo; é um problema de integração social.

A semana foi pródiga em casos que abalaram as mentes dos portugueses: CGD e o Bairro da Jamaica.

Na CGD pouco há dizer porque o que se percebe é que durante quinze anos houve - antes disso também - uma politização das administrações do banco público, uma tentativa de controlo de entidades privadas por via do banco do estado, amiguismo, social porreirismo e uma grande dose de optimismo quando os relatórios aconselhavam a não concederem empréstimos.

Alguns destes casos mais não são que casos de polícia e já estão integrados nos processos “Face Oculta” e “Operação Marquês”. Follow the Money e temos as respostas a muitas questões que cruzam negócios com política suprapartidária.

O que se passou no Bairro da Jamaica não foi racismo; é um problema de integração social.

As reacções que se seguiram a isso demonstram a falta de visão marxista dos partidos da dita esquerda, e a sua completa falência. “A história da sociedade até aos nossos dias é a história da luta de classes.”, foi abandonada por uma luta de raça, sexo, género, levando a que o Bloco de Esquerda, e por arrasto o PCP, já não tenham força nos bairros de operários.

O Bairro da Jamaica é um bairro de pobres, de pessoas que vivem de trabalhos que mais ninguém quer, na construção civil, a lavar escadas de prédios, por turnos que começam à meia-noite e terminam às oito, etc., da caridade do estado ou da caridade de associações e de alguns patrões. É um bairro onde há gangs, daqueles que se vêem nos filmes – tal qual António Costa! -, e que se aproveitam da miséria dos vizinhos para poderem viver marginalmente.

É um sítio onde a polícia, responsável por manter a ordem, não entra pacificamente. Como não entrava pacificamente nas Torres do Aleixo e, que me lembre, lá moravam quase exclusivamente brancos.

Digo isto para afirmar que qualquer pessoa que more naquelas condições, às portas de Lisboa ou de qualquer cidade europeia, vai-se manifestar violentamente quando vê o Estado personificado num polícia. O Estado que lhes falha em tudo, excepto no homem que os vem prender.

As declarações de Joana Mortágua e de Mamadou Ba são tristes e são sinónimo do desnorte político do Bloco porque tentam apenas criar um soundbite: é melhor para as causas fracturantes dizer que a polícia foi racista do que ter usado a força para controlar grupo de trabalhadores precários.

Rui Rio esteve bem, ao não condenar ninguém até haver uma versão oficial do que se passou e, honra lhe seja feita, Santana Lopes também.
Mas se o Bloco falhou no Jamaica, PS, PSD e CDS falham na CGD, ao não se afastarem politicamente de todas as direcções do Conselho de Administração e dos empresários envolvidos nos empréstimos que vieram a público.

Porque ambos os casos têm uma particularidade perigosa: expõe muitas fragilidades do sistema democrático português e a resposta sensata que deveria vir do próprio sistema tarda em aparecer.

Por outro lado, ganham força os partidos radicais – mais no auge do que nunca -, como é o caso do PNR e o novíssimo Chega, do candidato de Passos Coelho à Câmara de Loures.

0
0
0
s2smodern