Sois construtores de muros ou de pontes?

Portugal estará de parabéns com a realização das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022 se souber fazer jus a um encontro mundial que renove mentalidades e que dê novas auroras à esperança para tantos jovens que só querem ser felizes! 

Foi com esta pergunta que o Papa Francisco deu o mote para mais umas Jornadas Mundiais da Juventude que decorreram no Panamá.

Criticou os construtores de muros e pediu aos mais novos para serem construtores de pontes. Os verdadeiros mestres e artesãos da cultura do encontro, podem e devem ser os jovens. Para Francisco, assim é, porque os jovens têm “um olfacto capaz de intuir que ‘o amor verdadeiro não anula as legítimas diferenças, mas harmoniza-as numa unidade superior”, citando o seu antecessor, Bento XVI, papa emérito.

No seu livro “ Deus é jovem “, ele próprio, Papa Francisco, na altura simplesmente Jorge Mario Bergoglio dizia que “ em determinadas alturas, sentia-me como se estivesse num baloiço”.

É isso que com certeza sentem muitos jovens em particular e outros menos jovens, com tanta falta de esperança no amanhã e uma incerteza que amputa sonhos e desejos. Sendo certo que o mundo pertence, como nos disse Teilhard de Chardin àqueles que lhe oferecem maior esperança.

É isso que é oferecido por cada um de nós àqueles com quem nos rodeamos, jovens e menos jovens? Cada jovem, tem dentro de si um potencial enorme e se cada um de nós se pode sentir um pequeníssimo grão de areia, não nos devemos esquecer que um grão de areia é uma coisa extraordinariamente importante na criação. E se até o poeta Al Berto, não crente, dizia que “Nunca senti o dedo dele na testa (referia-se a Deus). Enquanto durmo, sabe-se lá…”, como que abrindo a porta a uma entidade superior, aqueles jovens no Panamá, Gondomar e em tantos pontos do Globo, não ficaram indiferentes a Ele que certamente os tocou no coração…

Cada ser humano é um ser criado para uma vocação única do entendimento que o rodeia. Se Deus faz o que pode - e como faz tanto -, é ao Homem que incumbe desenhar o humano, em liberdade e autonomia. Não é isso que deve incumbir aos políticos e educadores deste mundo?

No seu livro “ A Selva”, Ferreira de Castro diz-nos” Adivinhava-se a luta desesperada de caules e ramos, ali onde dificilmente se divisava um palmo de chão que não alimentasse vida triunfante. A selva dominava tudo (…)”. Hoje a Selva é outra. E se Ferreira de Castro fosse vivo choraria pelo que Bolsonaro pretende fazer na sua Amazónia e choraria pela Selva que é um Mundo em que quem triunfa não é de facto quem é melhor, mas quem se consegue pôr mais e melhor em bicos de pés…

Seremos construtores de pontes se o nosso olhar nunca perder a ousadia da juventude e a sabedoria de saber que cada circunstância é uma dádiva e em cada experiência oculta-se um tesouro (“ o olhar é uma coisa misteriosa, tem alma ou não tem “. Quem o tem neste tempo que passa?).

Portugal estará de parabéns com a realização das Jornadas Mundiais da Juventude em 2022 se souber fazer jus a um encontro mundial que renove mentalidades e que dê novas auroras à esperança para tantos jovens que só querem ser felizes! Para que a vida triunfante que Ferreira de Castro falava possa ser transportada para a realidade de hoje, dando novas tonalidades a uma esperança que todos e a juventude em particular exigem.

Precisamos mais de humanidade que de máquinas. É que estas nunca terão um coração. Saibamos ouvir o Papa Francisco com a juventude que o caracteriza, ele que também tantos muros tem derrubado na construção de pontes que façam cada um sentir-se como um milagre da criação!

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