Já não passam comboios aqui

É inquestionável que uma linha férrea inaugurada em 23 de Novembro de 1908, apesar de algumas melhorias ao longo dos anos, não está adequada aos dias de hoje e aos vindouros.

De tempos em tempos – as notícias das últimas três ou quatro décadas tal podem confirmar – são anunciadas renovações, melhoria, sei lá que mais, da linha férrea do Vale do Vouga no troço de Espinho a Oliveira de Azeméis.

Há dias um novo anúncio foi feito e um valor adiantado: 75 milhões de euros.

Antes, em 2012, foi anunciado pela gestão à época da Área Metropolitana do Porto que ‘ Existe um projecto para integrar o troço entre Oliveira de Azeméis e Espinho na rede da CP Porto, ligando-o à Linha do Norte nesta localidade. Para tal será convertida a via para bitola europeia e será electrificada”. Não passou disso mesmo, de um projecto.

No 19º ano do século XXI existe menos oferta real de transportes públicos, em frequência e qualidade, para fora do perímetro do concelho de Oliveira de Azeméis (até mesmo dentro deste), mormente para a capital do norte, do que há umas três ou quatro décadas.

É inquestionável que uma linha férrea inaugurada em 23 de Novembro de 1908, apesar de algumas melhorias ao longo dos anos, não está adequada aos dias de hoje e aos vindouros. Qualquer renovação, reformulação que venha a acontecer só pecará por tardia. Mas que aconteça.

Um ponto mais: na sua celebrada obra ‘Emigrantes’ (1ª edição 1928), o escritor oliveirense Ferreira de Castro narrou assim uma viagem a bordo do Vouguinha de Espinho até Oliveira de Azeméis: “Em Espinho, meteu-se nas gaiolas do Vale do Vouga - brinquedo ferroviário, simpático, modesto, de trinado infantil na vizinhança das estações. E rodou de novo. Tudo lhe parecia vida sonhada no seu quarto de exilado, lá longe, na outra margem do Atlântico. Viu recortar-se, à direita, o perfil do castelo da Feira; adiante, S. João da Madeira; depois, com o coração aos saltos e olhos sempre famintos do que se encontrava para mais além, continuou a olhar, cada vez mais febril, mais ansioso por chegar. Finalmente - a vila! Estava como ele a deixara... Não, não; tinha uma avenida nova, larga, saindo mesmo ali da estação.”

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