O que está em causa nas Eleições Europeias? Em resposta direta, eu diria que são os próprios valores fundadores da União Europeia: a inclusão, a tolerância, a justiça, a solidariedade e a não discriminação. Estes valores são parte integrante do modo de vida europeu; ou seja, coisas que parecem simples, a roçar o banal, mas que servem para manter a União Europeia e que, provavelmente, nunca tanto como hoje estiveram tão ameaçados.
Pensemos na onda de desacatos, confrontos, violência, barricadas, viaturas incendiadas, montras partidas, no 8º bairro de Paris que é um dos mais sofisticados desta cidade, que resultaram num balanço trágico de 205 detenções, 92 feridos e, entre estes, 14 agentes das forças policiais. Atos de insurreição que aproveitaram a manifestação dos coletes amarelos, mas que provocaram todo este tipo de desacatos, próximo do final do ano que há pouco acabou.
Nos inúmeros desacatos ocorridos em Espanha, nomeadamente em Madrid, excluindo os surgidos a propósito do movimento independentista catalão.
Os últimos desacatos em Budapeste que começam por manifestações contra uma alteração da legislação laboral a que os húngaros chamam a lei dos escravos e que prosseguiu com muitos outros objetivos e reivindicações que passaram, por exemplo pela reivindicação de liberdade de imprensa.
No mês de dezembro último os milhares que se manifestaram nas Ruas de Viena, contra o governo de coligação, entre dois partidos, dos quais um é de extrema direita e contra a imigração.
Violência e desacatos de rua que se estendem pelas ruas de Bruxelas, Amesterdão e que, mais cedo que tarde, alastrarão às ruas italianas.
Os ataques antissemitas a várias sinagogas…
Por outro lado, vão crescendo, dia a pós dia os partidos de extrema direita por essa Europa fora: Marine Le Pen e Matteo Salvini fazem apelo conjunto a uma revolução nas eleições de Maio. Estes os dois lideres de partidos europeus de extrema direita, nacionalistas anti-imigração e migração.
Na Hungria Viktor Orbán, ele que é um eurocético, tenta impor, em matéria laboral a chamada lei da escravatura, trava a entrada de imigrantes e migrantes, quer criar tribunais paralelos, além de criminalizar a ajuda à migração.
O partido radical da Flandres, promove encontros e seminários de propaganda, com a presença de Le Pen e de “comissários” de Trump, dos quais se detaca Bannon que defendem e difundem a necessidade de uma Europa de “portões fechados”.
Por tudo isto, seria necessária uma campanha pouco propagandística e de grande discussão nacional de política europeia, desde logo, porque, no cenário da união, começa a aumentar a proximidade entre estes movimentos e o PPE.
Além disso, não nos podemos esquecer dos países europeus que são neste momento governados por partidos nacionalistas de extrema direita, a Hungria e a Polónia. E, além destes, os países governados por coligações formadas por partidos de extrema direita como a Austria; os países onde o partido de extrema direita foi o terceiro partido mais votado, como a Alemanha; a participação da extrema direita de Salvini na coligação de governo Italiano que começou por anunciar que “a Itália não é para todos...”. Aqui ao lado o VOX, partido Espanhol de extrema direita tem uma subida exponencial e, com uma escassa vantagem para o PSOE, é o segundo partido a eleger mais deputados para o parlamento autonómico da Andaluzia… isto, entre muitos outros. Releve-se, pelo enorme simbolismo, a enorme subida da extrema direita na Dinamarca, algo que, à partida seria impensável.
Os próximos meses não podem ser perdidos em mera propaganda partidária e em atos de política panfletária, porque vivemos um momento decisivo do futuro da União Europeia e da própria Europa.

